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O consumidor muçulmano

Na recente exposição World Travel Market que decorreu em Londres, Navid Akhtar, diretor-executivo da empresa de média digital, Gazelle Media, apresentou uma perspetiva sobre o crescimento demográfico do consumidor muçulmano. Apelidado de o “terceiro milhar de milhão” (depois da China e da Índia), os muçulmanos diferem dos consumidores nesses mercados na medida em que não estão unidos pela geografia, mas por valores partilhados e crenças religiosas estabelecidas no Alcorão. Espalhados em todo o mundo, com uma concentração evidente no Médio Oriente e países como a Malásia, os muçulmanos são um consumidor verdadeiramente global, com ideias, comportamentos e atitudes que ultrapassam as fronteiras. Akhtar focalizou-se na cada vez mais afluente classe média muçulmana, que muitas vezes é educada e, por razões religiosas, está normalmente isenta de hipotecas. Com considerável rendimento efetivamente disponível e um desejo crescente de se distanciar da imagem global dos muçulmanos, como “jovens adultos irados”, a atual classe média de consumidores muçulmanos está a procurar envolver-se com marcas, atividades e entretenimento que reflitam o seu estilo de vida em mudança. Os muçulmanos são, portanto, cada vez mais exigentes em termos das marcas, com o objetivo de provar o seu valor, observou Akhtar, sugerindo que a melhor forma das marcas atraírem esta demografia de consumidores passa por representar valores bons, que sejam partilhados pelo grupo, e compreender o desejo dos muçulmanos de sentirem-se servidos onde quer que estejam no mundo. Akhtar insistiu que as marcas devem «rever todas as atitudes que o Ocidente tem com o mundo muçulmano e olhar para [novas] formas de fazer negócios e comercializar», se quiserem beneficiar deste grupo de consumidores emergente e poderoso. O diretor-executivo da World Travel Market destacou três áreas de negócio que já estão a mudar o panorama do consumidor muçulmano: alimentação, finanças e diversão. A comida Halal certificada é uma das categorias mais importantes e de rápido crescimento para os consumidores muçulmanos, com uma dimensão atual de 661 mil milhões de dólares no mercado global. As finanças são outra área de crescimento significativo, sendo fomentada pelo petróleo, matérias-primas e indústria. Akhtar revelou que países como a Malásia e a Turquia «têm muito dinheiro e estão a decidir o que fazer com ele – qual o sistema bancário onde colocá-lo e como realmente utilizá-lo.» Com os consumidores muçulmanos em busca de diferentes formas de gastar o seu tempo de lazer, a diversão é uma categoria que surgiu como uma nova área de interesse. Akhtar referiu que existe uma relativa falta de cinema, arte, música, teatro e revistas dirigidas aos muçulmanos, mas estas são áreas de interesse crescente. Os muçulmanos deverão representar uma em cada três pessoas da população mundial até 2025. Sendo o turismo considerado uma das áreas mais importantes na categoria da diversão, os muçulmanos estão cada vez mais a explorar formas diferentes de férias e viagens. Em paralelo, existe uma diáspora mundial de muçulmanos que se deslocaram do Oriente para o Ocidente, formando um conjunto de consumidores que procura mais bens e serviços que respondam às suas necessidades. Com a crescente utilização da internet e dos média sociais, os muçulmanos estão a formar redes de interação. À medida que as pessoas alcançam maiores níveis de conectividade, tornam-se mais capazes de percecionar o estilo de vida desejado e esta evolução global da informação está a fomentar a ascensão do estilo de vida global muçulmano. «As pessoas estão a ver como as outras pessoas vivem e isso é uma enorme área de curiosidade», concluiu Akhtar.