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O consumo depois do loungewear

No trimestre que assinalou o primeiro aniversário da pandemia de covid-19, o e-commerce continuou a dar frutos à indústria da moda, segundo a Lyst, que oferece uma visão geral sobre as marcas e tendências mais procuradas pelos consumidores. Desta vez, o conforto já não é prioridade.

[©Gucci]

A plataforma de pesquisa de moda global desvendou as últimas revelações do relatório The Lyst Index sobre as marcas e produtos mais populares entre os utilizadores. Com base nas procuras feitas na plataforma e nas compras anuais de 150 milhões de compradores, os dados de pesquisa da Google bem como as menções nas redes sociais e as estatísticas de envolvimento a nível mundial nos primeiros três meses do ano, apresentam as preferências dos consumidores.

«As coisas que os consumidores têm pesquisado, guardado e comprado na aplicação da Lyst sugerem um regresso eminente ao vestuário para sair. As sweaters acompanharam-nos durante o último ano, mas muitos amantes de moda estão agora a deixar as calças de fato treino para segundo plano e a redescobrir a alegria de se vestir», afirma Bridget Mills-Powell, diretora de conteúdo da Lyst, ao Sourcing Journal.

Ainda que tenha sido registada uma evolução no tipo de produtos que os utilizadores procuraram na Lyst no primeiro trimestre, a indústria de luxo continua a destacar-se e a somar pontos. Uma vez mais, a Gucci conquistou o primeiro lugar e cativou o interesse dos consumidores através da colaboração com a The North Face. Além disso, a casa de moda italiana vestiu, para os Grammys, os cantores Billie Eilish e Harry Styles, cuja escolha de visual fomentou a procura por cachecóis de penas.

Os ténis Satan garantiram à Nike o segundo lugar na análise da Lyst, com aumento de 59% nas vendas digitais.

A Dior estreou-se na terceira posição ao conquistar a geração Z com a cantora Kim Ji-soo como embaixadora global e o lançamento de um filtro no Snapchat que permite experimentar ténis em realidade aumentada.

[©Louis Vuitton]
Com uma coleção cápsula que brilha no escuro, a Balenciaga ficou em quarto lugar, descendo, por isso, duas posições comparativamente ao trimestre anterior. Em quinto lugar, a Moncler também caiu duas posições, apesar de ter feito progressos relativamente à sustentabilidade com casacos feito de materiais reciclados.

A Prada ocupa a sexta posição, seguindo-se a Louis Vuitton, Bottega Veneta, Saint Laurent e Off-White a completarem o top das 10 melhores marcas, por ordem crescente. A Louis Vuitton, que fez sucesso com o desfile da primavera-verão 2021/2022 filmado no Louvre, foi uma nova adição no relatório.

O que não se esperava

A contrariar as previsões dos especialistas de moda que consideraram o conforto um aspeto inegociável para os consumidores, foram poucos os produtos mais procurados na moda feminina e masculina no primeiro trimestre de 2021, o que sinaliza um regresso das tendências pré-pandémicas.

«À medida que a indústria olha para o futuro, há sinais de otimismo do consumidor e a procura reprimida está a ser libertada para artigos além do loungewear», corrobora a Lyst.

Mesmo com alguns países em confinamento, os consumidores globais focaram as preferências em produtos vintage de luxo. A geração Z continua a inspirar-se em personalidades icónicas como Kylie Jenner e Hailey Bieber.

O casaco de colaboração da The North Face com a Gucci ficou em primeiro lugar nos produtos mais procurados pelas mulheres, seguido pela bolsa Kelly da Hermès e as botas Bottega Veneta.

O novo lançamento da bolsa de 2005 da Prada e os mules Devon da Attico conquistaram o quarto e quinto lugar, respetivamente. A bandolete vermelha em cetim da Prada usada por Amanda Gorman na tomada de posse do novo presidente dos EUA ficou em sexto lugar.

No relatório, os ténis Go FlyEase da Nike surgem em sétimo lugar, seguidos pelo chapéu da Adidas da linha Ivy Park, o que indica que os consumidores continuam a valorizar o conforto, mas sem o priorizar. O Rolex 40 mm Submariners, um relógio para homem, assegurou o nono lugar com as pesquisas por este tipo de artigo de luxo a aumentarem 47% no primeiro trimestre.

A procura por peças para sair, como vestidos, também aumentou significativamente, com uma subida de 222% no primeiro trimestre. Em décimo lugar ficou um vestido curto assimétrico da Nensi Dojaka.

No universo masculino, o calçado e os casacos versáteis dominaram as escolhas dos consumidores, com uma mistura de nomes e marcas tradicionais em ascensão.

[©Farfetch]
Os ténis Yeezy 450 da Adidas ocuparam o primeiro lugar na lista. «A nova silhueta de aparência futurista polarizou as opiniões nas redes sociais, mas as pesquisas por Yeezy aumentaram 121% com o lançamento no início de março e com os revendedores a pedirem atualmente, pelo menos, o dobro do preço original», refere a Lyst.

Os ténis Dunk Low da Nike (n.º 4), os Salomon XT-Wings 2 Advance (n.º 8) e os Geobasket da Rick Owens (n.º 10) também entraram na classificação.

O colete Gui da Moncler aparece em segundo lugar, seguido pelo chapéu com logotipo da Prada – dois artigos que destacam o poder de permanência do streetwear no mercado de luxo.

O casaco Beta AR da Arc’teryx ocupa a quinta posição, o Retro X fleece da Patagonia o sétimo e o Edgecomb da Burton o nono lugar. De acordo com a Lyst, este tipo de casacos foram muito procurados, tendo em conta a procura elevada por activewear e sportswear no segmento masculino.

O denim também marcou presença na classificação da Lyst com a camisa de Brunello Cucinelli na sexta posição.