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O decálogo do novo consumismo

Durante décadas, a prioridade das marcas foi criar o melhor produto a um preço competitivo para garantir vendas. Contudo, numa altura em que os consumidores incluem a sustentabilidade, a autenticidade e a transparência na sua lista de compras, marcas e retalhistas ou se adaptam ou morrem.

Esta mudança de atitude tem um nome – “novo consumismo” – cunhado pelo Euromonitor. «É sobre os consumidores reavaliarem as prioridades e cada vez mais questionarem o seu valor», esclarece Sarah Boumphrey, responsável pela pesquisa dos consumidores e economias no Euromonitor, em declarações ao portal The Business of Fashion (BoF. «[É] o consumo consciente a substituir o consumo sem critério do passado», completa.

Agora que os consumidores reavaliam prioridades, o portal BoF alinha os 10 fatores que definem o novo consumismo e o que este pode implicar nas vendas das marcas e retalhistas.

1 – Providenciar transparência

O entendimento das questões ambientais e das condições de trabalho pelo consumidor moderno significam que estes respondem, sobretudo, a práticas comerciais transparentes. A marca de vestuário Reformation, com sede em Los Angeles, por exemplo, orgulha-se da sustentabilidade dos seus designs de inspiração vintage.

A transparência é agora uma expectativa e não tanto uma opção, acredita Yael Aflalo, fundadora da marca. «Penso que a geração milénio está a começar a desafiar os limites do retalho de moda tradicional e a dirigir uma procura de honestidade e transparência para os produtos que compram», acrescenta.

2 – Demonstrar autenticidade

Hoje mais do que nunca, as marcas precisam de demonstrar autenticidade, oferecendo produtos que estão de acordo com a história e a cultura da empresa.

«Pensamos que muito disto coincide com a ascensão das experiências. À medida que a vida se vai transformando numa experiência paga, as pessoas questionam o que é real e o que não é», afirma Joseph Pine, autor de “The Experience Economy”, livro que explora a próxima fase do consumismo, depois da economia de serviços.

3 – Ter processos sustentáveis

A procura de materiais  e métodos de produção mais sustentáveis é um dos pilares do novo consumismo, de acordo com o Euromonitor.

A marca de moda britânica People Tree, por exemplo, revelou recentemente que pretende adotar o comércio justo ao longo de toda a cadeia de aprovisionamento. A empresa poderá operacionalizar isso através da compra de produtos e materiais de comércio justo a fornecedores no mundo em desenvolvimento. A People Tree esforça-se também por proteger o meio ambiente e utilizar os recursos naturais de forma sustentável.

4 – Investir em tecnologia

Os rápidos desenvolvimentos na área tecnológica aumentaram as expectativas dos consumidores online. Cada vez mais, o cliente exige um alto nível de serviço, rapidez e uma experiência única entre cliques.

5 – Ajudar os consumidores a alcançar objetivos

Ajudar os consumidores a atingir metas no que à saúde e bem-estar diz respeito é outra das estratégias que as marcas estão a implementar à luz do novo consumismo. A Nike, a maior fabricante de sportswear do mundo em termos de receita, organiza regularmente experiências únicas para os seus clientes, como clubes de corrida.

«[Os consumidores] querem ser mais saudáveis, querem ter uma vida mais plena, querem ter uma vida mais feliz, querem ter mais bem-estar e cada vez mais esperam que as empresas sejam capazes de ajudá-los a alcançar isso», diz Pine.

6 – Ter preços competitivos

Os descontos constantes alteraram as atitudes dos consumidores face ao valor e ao consumo. Na era do novo consumismo, o cliente espera um preço mais baixo.

A marca de básicos que aposta no modelo direto ao consumidor Everlane responde a essa procura através da partilha do custo de fabrico de cada produto.

7 – Ter serviços eficientes

O consumidor moderno é confrontado com infinitas opções, por isso, os produtos e serviços que o ajudam a poupar tempo tornaram-se mais atraentes. «“Comprar” tempo é cada vez mais uma opção para os consumidores», advoga Sarah Boumphrey. «O tempo tornou-se um luxo no mundo conectado de hoje».

8 – Apostar em experiências

A escalada do retalho online significa que os retalhistas devem trabalhar mais do que nunca para conseguirem encaminhar os consumidores para as lojas físicas. Eventos e experiências tornaram-se ferramentas essenciais para ajudar as marcas a relacionarem-se com os clientes a um nível mais profundo.

«Hoje estamos numa economia feita de experiências», admite Pine. «As experiências são memoráveis e envolvem cada indivíduo de uma forma pessoal e é isso que as pessoas querem».

9 – Perceber a economia de partilha

O rápido crescimento do serviço de aluguer de moda norte-americano Rent the Runway – lançado em 2009 e agora com 5,5 milhões de membros ativos – é uma evidência clara da forma como os novos consumidores abraçaram a posse temporária.

Com efeito, à medida que cada vez mais consumidores se familiariza com a ideia de partilha de bens, o desejo de posse pode abrandar a procura de artigos de moda conduzidos pelas tendências de luxo.

10 – Reconhecer a individualidade do consumidor

O aumento dos serviços de personalização responde à procura de produtos que ajudam a expressar a individualidade – cite-se como exemplo o boom do denim customizado (ver Denim a gosto) ou a investida de marcas como a Gucci (ver A fragmentação do eu).

O novo consumidor tem vindo a procurar oportunidades de se expressar através dos coordenados que seleciona pela manhã.