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O domínio da mulher

A oferta para moda feminina continua a dominar as coleções e mesmo as empresas que, como a TMG e a Paulo de Oliveira, tradicionalmente se dedicam ao homem, estão agora a abrir novas portas e criar propostas direcionadas especialmente para o género feminino.

Rita Ribeiro (TMG Textiles)

Na Paulo de Oliveira, a nova linha para senhora foi batizada Pink Collection e Paulo Augusto Oliveira, administrador da produtora de lanifícios, aponta que «no final do ano deverá representar 5% das vendas e espero que represente 20% das vendas da empresa dentro de três anos».

Já na TMG Textiles, «estamos a entrar em senhora», revela Rita Ribeiro, business manager da empresa. «Somos fundamentalmente homem, mas não dizemos que não à senhora. Funciona assim», explica ao Jornal Têxtil.

O mercado mundial de vestuário de senhora e rapariga deverá representar, segundo os dados da Statista, 593,3 mil milhões de euros em 2019. O mercado deverá crescer a uma taxa anual composta de 4,2% até 2023, para um valor que rondará os 700 mil milhões de euros.

Estampados no inverno

Com uma forte concorrência, a conquista deste mercado valioso implica um esforço adicional para estar a par das tendências. «Passamos a construir uma base de informação, quase como um caderno de tendências, para, ainda antes da coleção, percebermos como está construída, com que influências, que temas estamos a abordar e como é que nos expressamos nessa matéria», conta Paulo Ferreira, CSO da Adalberto.

Paulo Ferreira (Adalberto)

Especialista em estamparia, é esse o core das propostas da empresa para a moda de senhora no outono-inverno 2020/2021. «Embora tenhamos muitos outros tipos de produtos, como investimos muito numa área que acreditamos que seja o futuro em termos da evolução da estamparia, é uma coleção que tem muito trabalho na área de estamparia digital, em várias composições de matérias-primas e construções», desvenda. Especificamente, esta coleção foi pensada para «uma mulher moderna, bastante citadina e muito independente. Há aqui alguma evolução daquilo que são as tendências dos fittings e nós tentamos, é a nossa obrigação, corresponder, de forma a que os produtos que apresentamos se enquadrem com o que são as tendências do fitting em termos de evolução de moda», acrescenta o CSO da Adalberto. Os tecidos sugeridos são, por isso, «muito finos, com toques muito suaves e, sobretudo, muito fluidos», enumera Paulo Ferreira. Outra tendência a que a coleção da empresa responde é a dos efeitos de brilho. «Temos algumas abordagens nessa área bastante interessantes, algumas delas com estamparia também envolvida», aponta.

Pelos brilham mais

O brilho tem também um lugar de destaque nas propostas da Gierlings Velpor. «Temos uns artigos diferentes, com aplicações em glitters, que têm sido muito procuradas», confessa Pedro Lima. Em dourado e prateado, a aplicação é feita nos acabamentos, esclarece o diretor de vendas. «Outro produto que tem tido algum sucesso é um acabamento mais rígido», avança.

A oferta da empresa para o outono-inverno 2020/2021 completa-se com os astracãs, selecionados mesmo pelo criador português Miguel Vieira, os estampados digitais, os veludos e os pelos não-naturais que são já uma referência. «Temos 110 artigos na coleção. 40% são novos, os restantes transitam de um ano para o outro. Não podemos abandonar os lisos, os tradicionais, os básicos – temos de ter sempre», resume Pedro Lima.

Esta variedade torna-se igualmente fundamental para servir os diferentes mercados, com apetências distintas para veludos e peles não-naturais. «Tem havido uma procura constante, não houve grandes variações nos últimos 24 meses. O que há é, às vezes, variações de mercados. Uns são vocacionados para as peles e outros mais para os veludos», elucida.

Nos veludos dominam os EUA e Espanha, com Zara, Massimo Dutti e El Corte Inglés. Já para as peles, os grandes mercados são Itália – onde a Gierlings Velpor conta com clientes como Max Mara, Armani e Dolce & Gabbana –, Inglaterra, onde é procurada pela Paul Smith e Karen Millen, e Japão. «Mas até para o Cirque du Soleil vendemos, para o Canadá. É um cliente regular – a última vez, há dois ou três meses, pediram leopardo», assevera o diretor de vendas. Leopardos, tigres e zebra são, de resto, os padrões mais solicitados neste momento. «Os EUA têm pedido muita zebra. Aliás, fizemos uns desenhos de zebra diferentes para os EUA – quiseram umas manchas maiores do que a nossa zebra original – que vão estar nas lojas em setembro», indica.

Pedro Lima (Gierlings Velpor)

Formas diferentes de inovar numa área que, admite Pedro Lima, «já não há muito para inventar. Não quer dizer que não haja sempre novidades que se possam acrescentar, mas às vezes é mais reinventar. Nós temos um arquivo vasto, porque a empresa já tem muitos anos, e de vez em quando vamos buscar desenhos antigos e tentamos modernizá-los para o que pensamos que vai ser o gosto da próxima estação. Temos designers que estudam o assunto e que apontam a direção da coleção e é nessa direção que apostamos».