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O efeito Amazon

A gigante do retalho online está na fila da frente para assumir o papel de retalhista de vestuário n.º 1 nos EUA, numa peça em que os grandes armazéns, caso da Nordstrom e da Macy’s, por exemplo, não chegam sequer a entrar.

As retalhistas de longa data, dos grandes armazéns às marcas centradas nos adolescentes, estão a debater-se com um cenário de retalho em mudança, um fenómeno que está agora a ser designado por “efeito Amazon”, analisa o portal de moda Fashionista.

Recentemente, a Nordstrom registou uma queda impressionante de 64% no lucro líquido do primeiro trimestre do seu ano fiscal. «É evidente que a Amazon é um jogador importante na nossa indústria», afirmou o copresidente Pete Nordstrom em declarações ao portal WWD, acrescentando que a retalhista online «é um concorrente formidável. O nosso tráfego está em baixo. Se olharmos para o aspeto físico do nosso negócio, a procura não foi embora […] A diferença está no negócio online – na Amazon», explicou.

Porém, se os retalhistas estão a sentir o efeito Amazon de forma negativa, a retalhista não poderia estar mais otimista. De acordo com um relatório de John Blackledge, da Cowen & Co., a Amazon deverá ultrapassar a Macy’s como principal retalhista de vestuário nos EUA já em 2017. Enquanto isso, a Macy’s divulgou que as suas vendas no primeiro trimestre tinham caído 7,4%.

Mas, numa notícia ainda melhor para a retalhista online sediada em Seattle, Brian Nowak, da Morgan Stanley, estima que a Amazon terá 19% de quota no mercado de vestuário norte-americano em 2020, muito acima dos 6,7% do ano passado. Este número é baseado numa pesquisa que afirma que 20% dos consumidores dos EUA compram “frequentemente” roupas na Amazon, e que os membros Amazon Prime – a aumentar 50% ao ano – estão 5,5 vezes mais propensos a fazê-lo.

Em suma, isto significa que as tentativas da Amazon para ganhar terreno na indústria da moda não têm sido vãs (ver Amazon está na moda). O relatório da Morgan Stanley afirma mesmo que «as retalhistas verticalmente integradas com marcas fortes» – o documento cita a Victoria’s Secret e a Lululemon como exemplos – devem proteger-se deste efeito, uma vez que há pouca possibilidade de serem vendidas na Amazon.

O sucesso da Amazon continuará a representar, por isso, sérios problemas para os retalhistas tradicionais, como a Macy’s e a Nordstrom, mas estas estão a tentar combater as perdas com cadeias desconto (ver Retalhista em contracorrente), como a Saks Off Fifth, Nordstrom Rack e a Last Call (Neiman Marcus).

O boom da Amazon também coloca cada vez mais problemas às retalhistas centradas nos consumidores adolescentes como a Aeropostale, que recentemente entrou em processo de insolvência, e em marcas como a Gap, que parece não conseguir estabilizar as vendas.

Uma coisa é certa, resume o portal de moda Fashionista, o retalho está em convulsão, e a menos que as marcas descubram como competir com a conveniência, entrega rápida e preços baixos da Amazon, vão ficar para trás.