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O ensino têxtil do Futuro?

Leornado da Vinci é certamente o melhor dos mecenas quando se pretende juntar a ciência e a tecnologia. Enquadradas no programa com o nome do célebre inventor, doze entidades europeias, incluindo universidades, centros de I&D e empresas, vindas de Portugal, Alemanha, Áustria, República Checa, Polónia e Reino Unido, decidiram unir esforços em prol da fileira têxtil. Com efeito, este consórcio foi criado com o objectivo de atrair alunos do Ensino Secundário e das Escolas Profissionais para o Ensino Superior na área têxtil, que tão severamente tem sido fustigado por toda a Europa. Como? Através das novas tecnologias de informação que tanto seduzem a próxima geração de profissionais.«O objectivo deste projecto é desenvolver conteúdos baseados na tecnologia do e-learning», sublinha André Catarino, do Departamento de Engenharia Têxtil (DET) da Universidade do Minho, o parceiro português deste projecto. Tendo iniciado a sua missão em Setembro último, e que deverá ser concluída em Setembro de 2007, este projecto de e-learning divide-se em várias fases sobre as quais trabalham dois grupos abarcando os 12 parceiros. O primeiro grupo de trabalho, que inclui 5 parceiros, tem como missão seleccionar a melhor abordagem para apresentação dos conteúdos. Quanto ao segundo grupo, no qual está incluído o DET, é responsável pela criação dos conteúdos técnicos, especificamente relacionados com a tecnologia das malhas, que estarão disponíveis nas línguas maternas de todos os parceiros. «O nosso programa consiste essencialmente na apresentação dos conceitos básicos das várias tecnologias de tricotagem existentes segundo o conceito de e-learning- no qual o aluno vai aprendendo e testando os conhecimentos adquiridos», explica o parceiro portugês. «Desenvolvemos conteúdos tanto para o aluno como para o professor». Em particular, o DET vai conceber os conteúdos para as áreas das tecnologias seamless e wholegarment, cujas primeiras “lições” deverá apresentar ainda durante o corrente mês, na reunião a ter lugar em Lodz, na Polónia. Portugal, mais propriamente Guimarães, deverá ser o país anfitrião da reunião agendada para Outubro. A coordenação do projecto está a cargo de uma empresa alemã- BSW -, especialista em software, que já desenvolveu uma ferramenta análoga para a aprendizagem da tecelagem. «A ideia base é transportar esse software para a tricotagem», declara. «Aliás, todo o processo foi implementado tendo em conta as competências de cada parceiro. Deste modo, o primeiro grupo, dominado pelas empresas, leva a cabo a conceptualização do projecto, enquanto que o segundo, maioritariamente universitário, cria os conteúdos técnicos». «Este projecto reveste-se de especial interesse pelo potencial dinamizador têxtil que apresenta. Além disso, é uma porta aberta para outras colaborações igualmente importantes para a fileira», conclui André Catarino.