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O eterno minimalista

Para os que se preocupam com qualidade, o prestígio é a coisa mais importante. Acredito sempre na alta-costura e desejo que dure até o fim da minha carreira. Sempre a defendi, com a perfeição que ela implica. Não há duas maneiras de se exercer a profissão. Sucesso não é prestígio. O sucesso é passageiro, o prestígio é outro assunto. Ele persiste para além de nós. é preciso trabalhar para que os esforços desenvolvidos não tenham sido em vão», foi desta forma simples que Hubert de Givenchy explicou as metas que definiu ao longo da sua carreira como estilista, marcada pelo prestígio, uma extrema elegância, coerência e requinte. Reconhecido, ainda hoje, pelos seus longos vestidos pretos repletos de minimalismo e simplicidade, o criador e a sua marca epónima conquistaram adeptas por todo o mundo, desde Jacqueline Kennedy a Grace Kelly. A sua carreira começou na década de 50 – época em que o New Look de Dior fazia brilhar os olhos femininos ávidos por novidades – quando, e apenas com 25 anos, decidiu abrir a sua primeira loja, propondo um look bastante diferente das volumosas saias que enchiam as vitrines da altura. Foi precisamente, em menos de um ano, que o jovem Givenchy apresentou a sua primeira colecção de alta-costura, arrecadando aplausos da crítica, e que ficou marcada pela blusa de folhos nas mangas. A notoriedade veio a partir de 1954, quando a actriz Audrey Hepburn – então no auge da carreira – usou um de seus glamourosos modelos numa cena do filme Sabrina. Desde aí, a emblemática actriz exigiu que em todos os seus filmes,o guarda-roupa fosse na totalidade assinado por Givenchy. Deste modo, no filme “Breakfast at Tiffany’s” o criador vestiu Hepburn com vestidos pretos de formas clean, que são ainda hoje uma das peças emblemáticas da marca e um dos artigos incontornáveis do guarda-roupa feminino. Audrey Hepburn, grande embaixadora da marca na altura, traduzia o ideal de elegância e glamour que Givenchy pretendia incutir nas suas peças, sendo a mulher perfeita para vestir as suas criações, sempre impecavelmente bem proporcionadas. Trabalho mais sobre modelos vivos do que em manequins de madeira. Os manequins vivos são a minha fonte de inspiração. Audrey Hepburn encarnou, para mim, um ideal feminino, devido às suas proporções e também pela sua imagem», afirmou o criador. A marca, ainda sobre a tutela do próprio Hubert de Givenchy, foi comprada em 1988 pela LVMH, o maior grupo de marcas de luxo do mundo. O estilista permaneceu na direcção da marca até 1995, quando escolheu o jovem John Galliano para ocupar o seu posto. A nova direcção criativa durou menos de um ano, até que Galliano fosse convidado para dirigir a Christian Dior, deixando a vaga em aberto para outro novo talento britânico, Alexander McQueen. Foi com a colecção de Verão de 1997 que McQueen ganhou o prémio de melhor designer do International Fashion Group. Actualmente, os destinos criativo da casa Givenchy são regidos pelo estilista italiano Riccardo Tisci. Um dos poucos estilistas vivos, que fizeram história na década de 1950, Givenchy alcançou o prestígio ao ser um sucesso, nada efémero.