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O fabuloso destino da Trotinete

Duplicar o volume de negócios, aumentar as exportações e apostar no comércio eletrónico são os três principais objetivos da empresa fundada por Matilde Vasconcelos para os próximos quatro anos.

A Trotinete nasceu em 1992, inicialmente pensada como uma marca de vestuário infantil. Entretanto, a empresa enveredou pelo caminho dos fardamentos, tanto para crianças como para adultos. Colégios, cadeias de hotelaria, restauração e até aviação são alguns dos principais clientes da empresa. «Quando comecei com a marca não tinha experiência no terreno, portanto a perspetiva de ter uma organização sustentável estava a tornar-se complicada. Os clientes gostavam da coleção, mas depois encomendavam pouquíssimas peças. Na altura, em Portugal, as confeções produziam quantidades muito grandes. Entretanto, o mercado foi-se ajustando. A Trotinete orientou-se mais para o segmento de criança, para o fardamento», conta Matilde Vasconcelos ao Portugal Têxtil.

Atualmente, não existe só a Trotinete, mas também a Trot, uma marca para adultos, criada em 2007. «Tive necessidade de trabalhar também a área de adulto, porque o trabalho da marca Trotinete na área de fardamento é muito sazonal. Temos um pico muito grande de trabalho, que começa em maio e termina em setembro/outubro. A marca Trot veio colmatar isso», explica a CEO.

Ainda que a empresa também faça private label, as duas marcas representam 90% da produção. «Muitas vezes somos nós que criamos a imagem das outras empresas. Trabalhamos muito a imagem corporativa de cada cliente, mas para o private label desenvolvemos também coleções que os clientes nos pedem», revela.

Mais trabalhadores, mais exportações

Dentro de portas, a Trotinete, que conta com 30 trabalhadores, aposta fortemente no design. «Fazemos a parte toda de modelação, prototipagem, desenvolvimento de amostras, corte… Somos nós que compramos e controlamos as matérias-primas, adquirimos todos os acessórios e depois trabalhamos com confecionadores subcontratados», adianta Matilde Vasconcelos. Para 2022, a empresa prevê contratar, no mínimo, mais cinco pessoas. «O objetivo é crescer de forma sustentada. Uma forma sustentada significa que ainda cá estamos ao fim de 26 anos», sublinha.

As exportações representam 8% da produção. Um valor que, segundo e empresária, teve que ver com a saída, por opção, do mercado angolano, «pelos riscos inerentes». A Trotinete está agora a apostar em feiras internacionais, de forma a chegar aos 10% até ao final do ano. Em 2018, marcaram presença na HostelCo em Barcelona, na Fashion SPV em Londres, na Pure London, nos Professional Clothing Awards e, mais recentemente, no Modtissimo. «Vamos fazer agora uma feira muito técnica, a Medica Düsseldorf, para artigos para a saúde. Espero que, para o ano, possamos estar na Première Vision Paris», confessa a CEO. Os principais mercados da empresa são Espanha e Inglaterra e a aposta permanecerá na Europa, pela proximidade. «São mercados maduros, que privilegiam a confeção em Portugal. Queremos apostar no made in Portugal. É uma das nossas premissas. O nosso produto é todo fabricado em Portugal», assegura ao Portugal Têxtil.

Anualmente, a Trotinete tem crescido cerca de 15%, segundo a empresária. «Neste momento, em termos de volume de negócios, andamos na ordem dos 3 milhões de euros e, no prazo de quatro a cinco anos, queremos, na pior das hipóteses, duplicar. Em quatro anos esperamos chegar aos seis milhões», assume Matilde Vasconcelos.

Online é o futuro

Atualmente, a Trotinete já trabalha o comércio eletrónico, vendendo os produtos de alguns clientes nas suas plataformas. A próxima aposta será a venda da coleção própria ao consumidor final, lançando a coleção da marca epónima, «que pode ser comprada tanto por uma instituição com por um particular que queira ter a roupa para os filhos», elucida a empresária. «Se realmente houver necessidade de a marca Trotinete evoluir separadamente, no sentido de continuarmos com uma marca na área de fardamento e outra na área de moda, de roupa infantil, faremos essa divisão a seu tempo», acrescenta.

«Quem utiliza a farda tem que se sentir bem»

O conceito da Trotinete «não está associado ao fardamento, mas sim à moda. Quem utiliza a farda, não se pode sentir mal com aquilo que veste», afirma Matilde Vasconcelos. A marca cria «todo o tipo de produto que as pessoas utilizam diariamente. Só não fazemos roupa interior. Isso deu-nos, ao longo deste tempo, muita elasticidade e muito conhecimento, quer a nível de matérias-primas, a nível de fiting, de todo o conhecimento do produto e de diferentes produtos», destaca.

Paula Sousa, Angélica Morais, Matilde e Beatriz Vasconcelos

Ambas as marcas, Trot e Trotinete, são pensadas para que quem as usa não sinta que está a vestir um uniforme. «Para criança, é uma linha muito casual, na qual estamos orientados para um produto que os miúdos gostam de vestir diariamente, que não sintam que estão a vestir um uniforme, sintam mais que estão a vestir “a camisola da escola”», esclarece. Na marca de adultos, o conceito é o mesmo. Conforto, fiting e «todos os detalhes» são as medidas necessárias para que as pessoas «realmente apostem» na Trot e na Trotinete, sublinha a CEO.