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O fast-fashion está a desaparecer? – Parte 2

A Inditex tornou-se numa referência do fast fashion, quando revolucionou a indústria da moda com as modificações contínuas à sua oferta de vestuário nas lojas da Zara. No entanto, e contrariando as expectativas criadas, a tão necessária rapidez de resposta parece não ter trazido o aprovisionamento para perto dos principais mercados (ver O fast-fashion está a desaparecer? – Parte 1). Desempenho refrescante Certamente, a maioria dos retalhistas conseguiu actualizar com muita mais frequência as suas gamas: na realidade, as pesquisas parecem mostrar que os retalhistas que não aumentaram a frequência de mudança, saíram do negócio. E as cadeias que melhor actualizam também parecem ter melhor desempenho. Nos EUA, a The Buckle continua a aparecer na revisão mensal do just-style sobre as vendas no retalho como a única cadeia de retalho norte-americana que, não sendo de desconto, apresenta crescimento. A britânica New Look revelou recentemente que o aumento das vendas começou a acelerar desde o início de Maio e uma proporção substancial do crescimento da Uniqlo no Japão advém da sua capacidade de continuar a oferecer novos produtos aos seus clientes. Nenhuma destas empresas coloca grande ênfase na obtenção de novos designs para as lojas no dia a seguir ao designer as ter idealizado. Na realidade, no que se refere a filosofia de aprovisionamento, a The Buckle parece nitidamente antiquada: 80% das roupas que vende são marcas de terceiros. E nenhuma destas empresas mostra grande sinal de querer transferir a produção para mais perto de casa. A maioria do vestuário que a The Buckle vende com a sua própria marca é obtida através de agentes de aprovisionamento. A New Look tem uma mistura bastante típica de fornecimento e provisionamento directo através de agentes e compra vestuário mais ou menos nos mesmos países europeus e asiáticos que a maioria das outras cadeias de moda do Reino Unido. Curiosamente, nenhuma destas empresas tem seguido as recentes modas das redes elaboradas de escritórios de aprovisionamento no exterior ou do outsourcing de aprovisionamento por um agente de grande porte. A Uniqlo, que até há pouco dependia quase inteiramente da vizinha China para toda a sua oferta de vestuário, está a procurar outros lugares de aprovisionamento no resto da ásia. O retalhista japonês convenceu alguns fornecedores a investirem mais de 80 milhões de dólares num novo complexo de produção no Bangladesh e existem evidências de testes de produção em vários países asiáticos onde anteriormente o retalhista não comprava quantidades significativas. Novas atitudes O que aconteceu em quase todas as cadeias de vestuário foi uma mudança profunda na atitude das empresas para oferecerem um fluxo contínuo de novos produtos. Muitos já descobriram que é possível ter um programa muito mais frequente de novos produtos, mas não estão sempre a projectar novos modelos a curto prazo. A Inditex pratica o que Ken Watson do Industry Forum Services (que muito estudou sobre o fast fashion) chama de “fluxo flexível contínuo”: novas ideias rápidas que se transformam em peças de vestuário reais nas prateleiras reais muito rapidamente. A maioria dos outros retalhistas que mudou as suas gamas pratica frequentemente o que Watson designa por “fluxo contínuo não modificado”: onde as decisões de design são tomadas com algum tempo de antecedência. Se implementado correctamente, o fluxo flexível contínuo realiza mais dinheiro, mas é mais difícil e é por isso que cada vez mais empresas estão a mudar para algo mais próximo do fluxo contínuo não modificado, embora muitos misturem e combinem os dois sistemas. Na terceira e última parte deste artigo, são analisados outros factores que interferem na implementação do fast fashion.