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O fenómeno das compras ao vivo

As compras ao vivo continuam a crescer, especialmente nos EUA, onde poderão alcançar os 25 mil milhões de dólares em 2023, segundo a Coresight Research. A tendência é cada vez mais popular entre os consumidores, mas o que os move é a questão que as retalhistas devem responder antes de considerarem a tecnologia.

[©Freepik]

Além de estar a ganhar força progressivamente, as compras ao vivo, ou o chamado live shopping, apresentam boas projeções para os próximos anos, podendo atingir cerca de 20,81 mil milhões de euros até 2023. A atenção dos consumidores foi captada por esta tendência por dois motivos: a capitalização da popularidade dos influenciadores e a reprodução da experiência em loja, mas no formato digital.

«Na verdade, as pessoas gostam de ver alguém que reconhecem ou respeitam no seu sector a falar sobre os produtos que estão a ser vendidos, etc. Existe a componente e quem está a vender», afirma, ao Sourcing Journal, Fatima Yusuf, diretora de parcerias da Shopify, salientando que no digital há a necessidade crescente de «sentirmos que estamos envolvidos e que somos capazes de conversar com a pessoa quando vemos o produto».

Por consequência, as compras ao vivo estão a conquistar pontos nas estratégias de vendas, tendo em conta a diversidade presente na intenção do comprador quando assiste ao live shopping. Apesar disso, dada a natureza social do canal, o valor das compras ao vivo para as marcas não é transacional. «A transação acontece porque queremos fazer parte de um grupo», explicou Alan Boehme, diretor de tecnologia do grupo H&M, durante um webinar, o primeiro da série Retail Innovation Summit do Retail accelerator XRC Labs e da Wharton School of Business. No evento, esteve em análise o caso específico de crescimento da ShopShops.

Embora a ShopShops tenha começado em 2016 para «levar uma versão de compras da Yelp aos consumidores chineses», como referiu a fundadora e CEO Liyia Wu, o negócio rapidamente se alterou para o modelo de compras ao vivo, lançando operações na plataforma Taobao. «Este é o futuro das compras» foram as palavras de Liyia Wu cinco minutos depois da primeira transmissão de live shopping. Dois anos depois, a ShopShops chegou ao público e está agora disponível em cinco países, com aproximadamente 800 eventos por mês.

«Entrar no live é onde as pessoas podem construir um novo comportamento de compra e uma comunidade e isso acontece em tempo real. No entanto, diria que esta é uma parte do vídeo em tempo real e uma parte das reproduções. Percebemos o valor do conteúdo live, que pode ser assistido continuamente», assegura a CEO da ShopShops, visto que as repetições destes vídeos podem fomentar novas conversas entre os consumidores e as retalhistas, que podem ajudar a expandir, mais ainda, a comunidade em construção. Para Liyia Wu, existem diferenças entre as compras ao vivo e as tradicionais «experiências de compra ao vivo» que são fornecidas pela HSN e QVC, uma vez que a ShopShops e outras plataformas dispõem de um ambiente de estúdio menos controlado.

«São diferentes indivíduos em vez de se basear numa única pessoa. Na nossa opinião, a diferença é que não é um programa que estamos a ver, são vários programas vindos de vários indivíduos para apresentar ou partilhar informações sobre a sua experiência com um produto. É mais interativo quando se pode responder ao público, dar resultados e respostas em tempo real para as pessoas que querem comprar», garante a fundadora da ShopShops, citando o exemplo de que numa transmissão experimentaram um sapato de cada cor, um preto e outro branco, e os consumidores solicitaram tanto o par misto que a marca passou a vender cores diferentes como par. Liyia Wu prevê ainda que a adoção de plataformas como a ShopShops se torne mais popular, especialmente, nos mercados de língua inglesa, ganhando uma base mais sólida em 2023.

Magnitude implementada

A ShopShops começou num mercado em que tecnologia já está muito enraizada, porém, Liyia Wu diz que 70% dos consumidores chineses acederam ao comércio eletrónico através das compras ao vivo e questiona também se este não será o segredo para as grandes retalhistas globais começarem a adotar esta tendência.

[©ShopShops]
Alan Boehme questiona como se passa do pequeno ao grande, visto que o grupo H&M opera em mais de 70 países e 5.500 locais, realizando vários testes em todo o mercado com tecnologias como o livestreaming e a realidade aumentada.

«Introduzimos numa geografia local. Às vezes, essa geografia pode estar numa loja ou num país, mas estamos sempre atentos para seguir em frente porque não queremos estar numa situação em que temos algo que funciona muito bem num mercado e depois demorarmos seis meses para descobrir como expandir», admite diretor de tecnologia. «Temos sempre a magnitude em consideração desde o início», reconhece.

As compras ao vivo vão explodir nos EUA, acredita Alan Boehme, com a implementação das redes 5G, que vão atuar como um catalisador para atrair consumidores e partes interessadas nesta tecnologia, com uma maior clareza e estabilidade no vídeo transmitido.

Não obstante, mesmo que a evolução do 5G nos EUA se mantenha mais lenta em relação à China, Fatima Yusuf, considera que a pandemia deixou o comércio eletrónico pronto para receber esta tendência em crescimento, apontando o caso das parcerias que são feitas tanto no Facebook como no TikTok. «Se as marcas estão já presentes nessas plataformas e a ligar os recursos de comércio a elas [às plataformas], nada as impede de fazer isso agora», conclui a diretora de parcerias da Shopify.