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O fim da roupa de designer? – Parte 2

Continuando esta análise, que aborda o futuro do vestuário criado por estilistas e marcas internacionais, o artigo doJust-style.com refere que 74% dos consumidores entrevistados pelaMintel consideram esta roupa demasiado cara (72% dos homens e 75% das mulheres), percentagem repartida equitativamente entre os diversos grupos etários e sócio-economicos.

Isto levanta uma outra questão, que é: o que se entende exactamente por «valor»?

A roupa de estilistas nunca será barata, mas actualmente os consumidores esperam um excelente “valor pelo custo”, qualquer que seja o preço dos artigos de vestuário.

Esta exigência é ainda aumentada pela crescente concorrência por parte das cadeias retalhistas de gama média que operam no mercado.

Aliás, as cadeias retalhistas têm vindo a tornar-se canais de distribuição cada vez mais importantes para o vestuário de estilista, sendo no Reino Unido o maior canal de venda para a roupa de senhora, com 30% do total do mercado, e o segundo mais importante no segmento masculino equivalente, com uma quota de mercado de 19%.

Por outro lado, as lojas independentes são o segundo maior canal de distribuição de vestuário no Reino Unido, assegurando 8% das vendas aos adultos, divididas entre os homens (9%) e as mulheres (6%), mostrando que, apesar da forte concorrência que se verifica neste sector, há sem dúvida espaço e margem de manobra para os estabelecimentos que apostem em colecções pequenas e de razoável qualidade.

As lojas de estilistas de renome são as preferidas por 4% do total de adultos (5% de homens e 3% de mulheres), e estes números têm vindo a aumentar no Reino Unido, através da abertura de novas lojas e extensões de cadeias de retalho.

Os próprios designers acreditam que as «flagship stores» (lojas-âncora) são cruciais para o sucesso de uma marca, uma vez que projectam todo o seu estilo de vida e imagem de marca que não são possíveis através dos restantes canais de venda.

Outra conclusão desta análise do comportamento dos consumidores perante a roupa de estilistas, é o peso dos centros comerciais como canal de distribuição deste tipo de produtos.

Com efeito, estes espaços comerciais oferecem às famílias a possibilidade de passar um “dia fora”, e no qual o vestuário assume um papel essencial, junto de 6% do total de adultos.

Por seu lado, as boutiques e lojas mais selectas são vistas como fortes concorrentes pelas casas de moda de designer, até porque estão a reagir cada vez mais depressa às tendências de moda, e a adaptar os seus produtos ao respectivo mercado, tudo tendo em conta a qualidade dos mesmos.

Cadeias como a Zara, Top Shop e H&M apostam assim em fabricar e comercializar cópias dos modelos de criadores conceituados, vendendo-as a preços verdadeiramente tentadores, poucas semanas após a sua apresentação nos grandes desfiles de moda internacionais.

Ao mesmo tempo, a contrafacção e o comércio paralelo revelam-se espinhos encravados na gestão das maiores marcas de vestuário, e um sinal do seu próprio sucesso na luta contra essas formas de vender vestuário.

De modo a poderem efectivamente controlar a venda paralela de produtos com a sua insígnia, estas marcas empenham-se actualmente em assumir a gestão das suas redes de distribuição, recuperando as licenças entretanto cedidas a terceiros e controlando eficazmente a sua própria produção.

Com toda esta concorrência a nível global, agravada pelas incertezas que marcam os mercados internacionais, a aposta das marcas de designer vai cada vez mais no sentido de assegurar que os seus artigos oferecem um real “valor acrescentado” aos consumidores, que continuam a sentir-se atraídos pela qualidade e criatividade, mas ao mesmo tempo revelam uma crescente precaução na forma de gastar o seu dinheiro.