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O futuro da alfaiataria

Andrew Blackmon, cofundador e co-CEO The Black Tux, empresa de aluguer de fatos de homem, acredita que um algoritmo e uma aposta na qualidade e no serviço ao cliente, aliados à comodidade do comércio eletrónico, são as coordenadas para o futuro da alfaiataria.

Quando Andrew Blackmon e Patrick Coyne lançaram a The Black Tux, em 2013, fizeram-no com a intenção de vestir os homens para um evento de gala prescindindo da visita a um alfaiate. O objetivo era atualizar o fato masculino e o seu aluguer, introduzindo coordenados de alta qualidade ao cliente e colocando o foco no fitting, atributos que Blackmon acreditava que o mercado estava a precisar. A The Black Tux prometeu fazer tudo isto como retalhista online, o que significava que os homens poderiam alugar vestuário formal entre cliques.

Hoje, a empresa cobra cerca de 95 a 145 dólares (aproximadamente entre os 89 e os 136 euros) pelo aluguer de fatos e smokings, dependendo do design, enquanto o aluguer de looks completos, que incluem artigos adicionais como uma camisa, sapatos de couro, laço ou gravata, varia entre os 150 e os 215 dólares.

Mais recentemente, a The Black Tux revelou um algoritmo novo e melhorado de fitting que reivindica prever exatamente o ajuste de um fato, apenas com base nas medidas que os clientes disponibilizam online. O ingrediente secreto? A inteligência artificial aliada aos dados recolhidos nos últimos anos de atividade da empresa.

À medida que a The Black Tux vai alimentando o algoritmo com dados sobre como as medidas dos clientes se correlacionaram com tamanhos e alterações, mais fácil fica predizer quais os cortes que funcionarão melhor para os clientes futuros.

No entanto, a Black Tux não é a única empresa procurada por homens em busca de fatos de qualidade e corte perfeito para alugar. «Algumas coisas importantes nos separam da concorrência. A primeira é qualidade do vestuário e a cadeia de aprovisionamento», explicou Andrew Blackmon, cofundador e co-CEO The Black Tux, à Fast Company.

A empresa aprovisiona a lã em Itália, «num dos melhores produtores de lã». «Desenvolvemos a nossa lã com eles e depois enviamos os nossos fatos para alguns dos melhores fabricantes no mundo, que fazem fatos para marcas como Ralph Lauren e Burberry», afirma.

O segundo critério de diferenciação da empresa é a aposta na comodidade do comércio eletrónico. «Privilegiamos tanto a qualidade que permitimos que os nossos utilizadores marquem uma prova gratuita do fato em casa, em qualquer altura antes do seu evento. Somos a única empresa de aluguer que envia os fatos duas semanas antes do evento de um cliente. A maioria das empresas envia-os uma semana antes. Sentimos que o cliente quer um pouco mais de tempo com o vestuário», aponta Blackmon.

A par da experiência online, a The Black Tux tem, também, espaços físicos. Atualmente com duas lojas, a ambição para 2017 é acelerar a aposta no retalho tradicional, favorecendo «a experiência prática do cliente».

Para conseguir um fitting perfeito, a empresa aposta na inteligência artificial. «Temos um algoritmo de inteligência artificial que se treina sozinho e à medida que vamos reunindo mais dados, vai evoluindo», refere o cofundador da The Black Tux.

«O que o algoritmo faz é pegar na altura, no peso e no tipo de corpo da pessoa através das perguntas a que os clientes respondem online – ou analisar as medidas apresentadas pela pessoa e combiná-las com a altura e o peso – e depois diz, com base nas medidas das nossas roupas e no histórico da nossa performance e fitting, “isto é o que esta pessoa mais provavelmente usará, com X% de confiança», acrescenta.

Para pessoas entre tamanhos, a empresa tem uma equipa de especialistas em fitting que contacta os clientes – por telefone ou videochamada – para afinar os dados.

Como resultado, apenas cerca de 8% das peças de vestuário não assentam bem no cliente “à primeira”. «Portanto, temos uma taxa de precisão muito alta», sublinha Andrew Blackmon. Em última alternativa, o cliente pode levar o fato a um alfaiate local e a empresa reembolsa o valor gasto com os ajustes da peça.

O vasto leque de tamanhos disponibilizados pela The Black Tux é outro dos fatores competitivos da empresa. «O nosso objetivo, na verdade, é que não precisemos de adaptar o vestuário – que, ao dispormos de tanta variabilidade em cada tamanho e de um algoritmo tão sofisticado, sejamos capazes de pegar num fato nas prateleiras e enviá-lo para o cliente. Mas é claro que existem certos tipos de corpo que exigem adaptação, e então temos de adaptar, penso eu, cerca de 5% a 10% das nossas roupas antes de as enviarmos», explica o cofundador da empresa.

Sobre o futuro da alfaiataria, Andrew Blackmon acredita que sempre haverá mercado para o aluguer de vestuário. Mais do que isso, acredita que este é um segmento em expansão. «Se o cliente tem um smoking ou fato, vai usar sempre a mesma coisa em todos os eventos. Digamos que o cliente gastou 1.000 dólares num fato e o usa em 10 eventos – connosco, com os mesmos 1.000 dólares pode usar 10 fatos nos 10 eventos. Acho que os homens estão mais conscientes disso e gostam dessa possibilidade», conclui.