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O futuro da moda conceptual

A moda que há uns tempos parecia tão radical ou conceptual, se preferirem, parece estar agora em vias de extinção, numa altura e que até os designers mais vanguardistas se têm ausentado das passarelas. Nova Iorque perdeu Miguel Adrovar, Paris, perdeu Jurgi Persoons e Angelo Figus, e Londres, uma cidade bem conhecida pela descoberta de novos talentos, já poucos nomes preenchem o panorama da moda internacional.

Não é fácil para um jovem designer sobreviver. Os grandes grupos de moda tem um elevado poder e quase nenhum criador consegue concorrer com eles sozinho. Os investimentos em páginas de publicidade nas mais importantes revistas de moda, que resultam depois numa cobertura editorial abrangente são apenas conseguidos pelos grandes grupos. Ao contrário do que acontece com os novos designers que não têm dinheiro para investir e acabam normalmente por conseguir apenas pequenos artigos na secção das notícias, sendo que as grandes coberturas fotográficas lhes passam ao lado. É para eles praticamente impossível competir com as Dior, Gucci, Pradas ao Calvin Klein.

A moda é, sem dúvida um negócio de confiança. E tal como acontece em Portugal, as lojas não apostam em designers mais radicais porque os clientes não compram, assim como os retalhistas não gostam e não querem correr riscos, o que faz com os criadores se encontrem algo limitados, e produzem menos.

No entanto, a moda está sempre em mudança, e algumas marcas começam já a apostar e a investir na divulgação e no trabalho dos criadores. Uma atitude que se pode comprovar também em Portugal, com o trabalho conjunto de estilistas e indústria, como a Jotex by Luís Buchinho, a Lousafil com a Katty Xiomara, entre outros. Esta participação conjunta é também promovida com iniciativas como a do Programa Aliança, um concurso de design de moda, numa iniciativa do Portugal Fashion, que tem lançado o desafio a jovens criadores que tem como principal objectivo facilitar a entrada de jovens criadores no mercado do trabalho.

No seguimento de iniciativas como esta, mas a uma escala internacional e numa perspectiva diferente, a Esprit em conjunto com o London College of Fashion, lançou a Esprit Academy, onde dezanove jovens e designers emergentes foram convidados pelo grupo americano a interpretar a essência da marca e criar uma nova de moda inspirada na colecção já existente. O vencedor poderá ver a sua colecção produzida e vendida nas lojas Esprit.

Por outro lado, a DKNY continua a acreditar na criatividade londrina e patrocina a exposição de moda e acessórios “New Designers”, que se realizou no início do mês de Julho, no Business Design Centre, em Londres. Neste evento estiveram expostos os trabalhos de mais de três mil estudantes de todo o Reino Unido, sendo que, a DKNY atribuiu dois prémios de mil libras aos jovens criadores que apresentaram os trabalhos mais inovadores e criativos, seleccionando ainda vários designers para uma outra exposição na sua loja situada na Bond Street.

Com todas estas iniciativas conclui-se que se calhar a dita moda conceptual ou radical, não tenha desaparecido e esteja, sim, a renascer com um aspecto renovado e através da aposta em talentos jovens e individuais.