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O futuro dos wearables

O ano de 2016 foi particularmente discreto em termos de smartwatches e pulseiras de fitness. Por outras palavras, o mercado dos wearables teve poucas novidades. As expectativas dos analistas do sector são que 2017 possa devolver o brilho às tecnologias vestíveis.

Não há muito tempo, analisa a Fast Company, todos os portais da especialidade estavam entusiasmados com a próxima grande plataforma de computação: os dispositivos portáteis e, especialmente, os smartwatches.

Muitos acreditavam que, até 2017, os consumidores estariam completamente dependentes dos seus relógios inteligentes e que muitas das tarefas diárias até então feitas nos smartphones seriam transferidas para os pequenos computadores de pulso.

Mas tal não se verificou. Atualmente, os wearables estão a ser usados, sobretudo, nas áreas da saúde e do fitness, algo que se deverá manter ao longo do corrente ano.

Muitos concordam que o derradeiro teste para os dispositivos móveis é a dependência do utilizador. Isto e, ninguém sai de casa sem o telemóvel, mas os relógios inteligentes ainda estão longe de rivalizar em importância com os smartphones.

Há três anos, gigantes como a Motorola, Samsung e LG estavam a desenvolver smartwatches com o sistema operacional Android Wear. Entretanto, em maio último, o Google anunciou a segunda versão do sistema operacional e os consumidores esperavam que uma nova onda de smartwatches Android Wear tomasse conta do mercado no primeiro trimestre de 2017, assinalando a estreia do Android Wear 2.0. Algo que também não se verificou.

A Samsung anunciou que iria construir os próximos smartwatches na sua plataforma Tizen e, há semanas, a Motorola (Lenovo), revelou que não lançaria novos smartwatches em 2017. A LG foi a primeira a conceber um smartwatch Android Wear em 2014, mas a empresa não lançou novos modelos em 2016 e os seus planos para 2017 permanecem incógnitos.

Mais preocupante é o facto de a categoria smartwatch não ter conseguido conectar-se com o mercado de massas. Desde o início de 2015, foram expedidos aproximadamente 35 milhões de smartwatches, contra 385 milhões de tablets e 2,9 mil milhões de smartphones. «Em 2016… por cada smartwatch expedido, foram vendidos 10 tablets e 78 smartphones», escreveu Neil Cybart, analista da Avalon, num relatório recente.

Neste cenário pouco otimista, o único smartwatch que parece ter futuro é o Apple Watch. Este último, afirmam os analistas, teve um primeiro ano decente depois do seu lançamento em abril de 2015. A Apple não divulgou os números, mas a indústria estima que terão sido vendidas entre 10 milhões e 15 milhões de unidades.

Neil Cybart acredita que o Apple Watch vai dominar a categoria smartwatch em 2017 e que a proposta da gigante da tecnologia começará a influenciar o mercado dos wearables mais diretamente. «A diferença de vendas entre smartwatches e pulseiras de fitness e trackings de saúde vai diminuir, e a concorrência começará a aproximar-se do Apple Watch», explicou. Isso pode significar que os fabricantes de wearables vão tentar imitar o design do Apple Watch. Pode também querer dizer que os fabricantes de pulseiras de fitness como o FitBit irão acelerar o processo de transferência das potencialidades do smartwatch (incluindo notificações e mapeamento) para os respetivos dispositivos.

Ainda assim, também é verdade que muitos consumidores não encontram razões para comprar um smartwatch, da Apple ou de qualquer outra marca. O público compreende os benefícios de monitorização dos dispositivos de fitness, mas tudo aquilo de que precisa para esse acompanhamento é um tracking da FitBit.

Contudo, também a FitBit apresentou resultados dececionantes no terceiro trimestre de 2016, e a empresa tem-se mostrado extremamente reticente sobre a divulgação de vendas da quadra natalícia.

Portanto, conclui a Fast Company, para 2017 ser um ano saudável no mercado dos wearables, as empresas terão de se esforçar para mudar a mentalidade dos consumidores sobre a importância destes dispositivos no seu quotidiano e as mensagens de marketing podem não ser o suficiente.