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O futuro dos wearables

A emergência dos dispositivos wearable desperta a curiosidade sobre o futuro desta tecnologia e levanta questões sobre se alguma vez estes serão objetos de absoluta necessidade ou apenas uma ferramenta útil a certos intentos e dispensável na sua maioria.

O Festival Northside, que se realizou no bairro nova-iorquino de Brooklyn entre os dias 8 e 14 de junho, reuniu um painel de convidados, liderado por Oliver Ryan, CEO da empresa Count It Labs, numa sessão que pretendia discutir a tecnologia wearable. Como Ryan destacou, o mercado da tecnologia wearable está em expansão, antecipando-se o lançamento de 34 milhões de smartwatches este ano, adverte a empresa analista de mercado IHS, uma taxa de crescimento de 250%, essencialmente impulsionada pelo Apple Watch e pela onda de publicidade que gerou. No entanto, outros defendem que, apesar do espaço conquistado pelos wearables, uma parte significativa desses dispositivos não é necessariamente útil.

A importância da saúde
Amy Puliafito, diretora de comunicações da Misfit, empresa baseada em Sillicon Valley, revelou que a parceria estabelecida com a seguradora de saúde nova-iorquina Oscar permite compreender quais os dispositivos wearables que vieram para ficar. Os clientes recebem um pedómetro Misfit que acompanha as suas atividades. Em resultado, «usam opções de telemedicina com mais frequência, reduzindo os custos da empresa de cuidados de saúde no longo prazo. Isto faz, também, com que seja mais provável que os wearables se mantenham em circulação por mais tempo», explicou Puliafito.

Coisas simples
Jennifer Jolly, jornalista do New York Times, que escreve no blog Well, uma secção digital inteiramente dedicada à saúde e bem-estar do periódico nova-iorquino, testou vários dispositivos portáteis, procurando aqueles que facilitem o seu dia-a-dia. A sua conclusão é que «nós encontramo-nos realmente no nascimento deste movimento». Atualmente, Jolly usa uma banda de proteção solar que envia alertas para o seu telefone, advertindo-a para a necessidade de reaplicar o protetor solar. Na conferência, Jennifer Jolly também usou um colar de cristais Swarovski da Misfit, que conta os seus passos, bem como um relógio Apple, pelo qual afirma se ter relutantemente apaixonado, apesar do período de duas semanas de adaptação. Uma das funções mais simples é uma das suas favoritas: «quando estou a correr à volta da minha casa, ele encontra o meu iPhone». Em forma de apelo jocoso às empresas presentes, Jolly disse que «preciso de um para os meus óculos de sol». As mais promissoras aplicações de saúde incluem a capacidade de monitorizar a temperatura dos bebés, a frequência cardíaca e os níveis de insulina para diabéticos, apontou a jornalista.

Tecnologia adaptável
Shawn Cummings, vice-presidente e diretora de inovação e estratégia de mercado da Timex, afirmou que na tecnologia wearable «o derradeiro aplicativo ainda não se materializou», uma noção suportada por outros participantes. «Esperava que a evolução fosse mais preditiva e fornecesse soluções para aquilo que eu estou a monitorizar», explicou. Por exemplo, os monitores de atividade podem acompanhar o sono dos utilizadores e «eu sei que não dormi bem, o que eu não sei é porque não dormi bem e o que posso fazer para dormir melhor», exemplificou. A Timex tem um smartwatch que apresenta mensagens de texto, identificador de chamadas, notificações push e a capacidade de se conectar a aplicativos como o MapMyFitness, independentemente de se encontrar numa plataforma iOS ou Android. Porém, simultaneamente, a indicação das horas e a personalização continuam a ser as principais prioridades de uma empresa de relógios com 160 anos de história, ressalvou Cummings.

Disney no pulso
Jonas Damon, diretor criativo da Frog, discutiu a Disney World MagicBand, uma pulseira wearable que a sua empresa desenvolveu para os visitantes do parque temático. No momento da reserva da viagem, a Disney World avalia o que incluir na pulseira de forma que «o parque ganhe vida» para o utilizador, explicou. O personagem favorito de uma criança, por exemplo, estará na pulseira. Não tem um mostrador mas a magia acontece no momento da chegada ao parque. A pulseira tem um rádio de longo alcance, transmitindo até mais de 12 metros em todas as direções, alcançando sensores colocados ao longo do parque, acessíveis aos empregados via smartphones. «Se o personagem favorito dos seus filhos é o Wall-E, talvez o Wall-E venha até si. Pode encomendar comida e sair sem ter que pagar. Tudo acontece sem que tenha de se envolver», acrescentou. De igual forma, o parque pode usar as pulseiras para identificar onde a maioria das pessoas estão localizadas no recinto do parque e enviar «membros do elenco» suplementares. O sucesso deste mecanismo determinou a possibilidade de algo similar ser utilizado em hospitais.