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O futuro é dos têxteis técnicos

Com um enorme potencial de crescimento, muito dele ainda por descobrir, os têxteis técnicos poderão ser o garante de sobrevivência para muitas empresas em todo o mundo, afirma Michael Jaenecke, da Messe Frankfurt, que dá conta do forte avanço deste sector em países como a China e a Índia.

Michael Jaenecke

«Os têxteis técnicos, para muitas empresas no mundo, são a única forma de sobreviver no futuro», sublinhou o diretor de desenvolvimento de marca de têxteis técnicos e processamento têxtil da Messe Frankfurt, na sua intervenção na última convenção da ITMF – International Textile Manufacturers Federation.

Os chamados têxteis técnicos podem «ser usados em qualquer indústria», tendo a Messe Frankfurt definido 12 áreas. Entre essas, Michael Jaenecke apontou, como as que têm maior potencial, a construção, para reforçar e tornar as estruturas mais leves; o vestuário, nomeadamente têxteis inteligentes e funcionais para a moda; a saúde, com produtos de higiene e de aplicação médica, nomeadamente implantes à base de fibras; e a mobilidade, com têxteis inteligentes e estruturas mais leves para automóveis, comboios e aviões.

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«Um automóvel tem entre 35 a 40 quilos de têxteis no interior, visíveis e não visíveis. A tendência é reduzir o peso e também a reciclabilidade dos materiais», revelou o diretor de desenvolvimento de marca de têxteis técnicos e processamento têxtil da Messe Frankfurt. Contudo, acrescentou, «70% das utilizações para os têxteis técnicos ainda não foram sequer inventadas. Isso mostra o enorme potencial desta área».

Apesar destas oportunidades, os têxteis técnicos são também um desafio para quem quer estar nesta área de negócio, desde a situação económica externa ao crescimento internacional, passando ainda pela necessidade de ser independente de uma única indústria e servir vários segmentos. No entanto, «o maior desafio é que é preciso investimentos em diferentes aspetos», admitiu Michael Janecke, reconhecendo, como os mais relevantes, a investigação e desenvolvimento, «porque os produtos são desenvolvidos com os clientes e é preciso trabalhar em conjunto e perceber a linguagem do cliente» e o marketing. «É preciso contar histórias», resumiu.

Emergentes em crescimento

Neste universo promissor, há mercados que estão a destacar-se. Na Europa, a Alemanha é uma referência. «A Alemanha foi forçada a mudar a sua escala de produção e temos uma forte base de investigação – 16 centros de investigação e desenvolvimento», explicou Michael Jaenecke. O país conta com 350 empresas dedicadas aos têxteis técnicos, que empregam cerca de 30 mil pessoas e, em 2018, foram responsáveis por um volume de negócios aproximado de 9 mil milhões de euros. «A taxa de crescimento é aproximadamente de 5% ao ano», indicou.

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Os EUA, por seu lado, chegaram a ser o maior mercado de têxteis técnicos, mas foram ultrapassados pela China. A indústria militar, a construção e o automóvel são os grandes impulsionadores neste mercado, que também exporta têxteis técnicos para aplicação na indústria, medicina, vestuário e não-tecidos. «[A China] tem grandes investimentos em curso, sobretudo nos sectores que estão a impulsionar a procura», afirmou Michael Jaenecke, que referiu que, entre 2006 e 2017, os investimentos em novas unidades industriais e equipamentos ascendeu a 22,8 mil milhões de dólares (cerca de 20,5 mil milhões de euros).

A produção de têxteis técnicos na China deverá duplicar entre 2013 e 2020 – só em não-tecidos, a produção deverá ultrapassar 22 milhões de toneladas em 2020, o dobro de há sete anos. As taxas de crescimento são igualmente elevadas nas áreas de têxteis para cuidados de higiene e saúde, filtração, geotêxteis, construção e reforço de estruturas.

Menos pujante, a Índia está também a marcar pontos nos têxteis técnicos. «A Índia é muito interessante», assegurou Michael Jaenecke, que afiançou que o país, conhecido pelos seus têxteis-lar, tem feito um esforço de transformação para a produção de artigos mais técnicos. «Nos últimos anos criaram oito centros de excelência para ajudar a indústria a abordar outros segmentos de mercado», asseverou, salientando que o governo está a apoiar as pequenas e médias empresas com mil milhões de euros e com a isenção de taxas alfandegárias para matérias-primas usadas para têxteis técnicos.

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Por último, a Rússia é «um gigante adormecido», acredita o diretor de desenvolvimento de marca de têxteis técnicos e processamento têxtil da Messe Frankfurt, que embora considere que o país está desatualizado, «quando voltarem à normalidade, penso que vão acelerar». Para Michael Jaenecke, «a Rússia precisa de investir» e existe um plano para, até 2025, desenvolver uma cadeia integrada de produção para tecidos sintéticos, incluindo a produção de têxteis técnicos.