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O futuro traz Bluetooth nas sapatilhas

Edredões de cortiça, sapatilhas de ballet com Bluetooth, máquinas de tingimento que usam quase zero água. A economia circular e novas aplicações têxteis estiveram ontem em destaque no iTechStyle Summit’18.

Rachel Boldt

Projetos inovadores e inesperados subiram ao palco no Terminal de Leixões. O Citeve, em parceria com a Têxteis Penedo, a Sedacor e o LSRE-LCM, está cada vez mais perto de produzir industrialmente tecidos com cortiça incorporada (ver Sedacor dá asas à cortiça). O projeto Cork.a.Tex foi apresentado por Graça Bonifácio, investigadora do centro tecnológico, durante o iTechStyle Summit, um evento organizado pelo Citeve em colaboração com a Associação Selectiva Moda e a coordenação científica da Universidade do Minho.

Os investigadores e as empresas começaram por analisar o mercado e descobriram que o formato como a cortiça era vendida no mercado muito dificilmente poderia ser transformado em roupa. O projeto visa, assim, «desenvolver materiais com as características funcionais dos têxteis e as mais-valias da cortiça. E que fossem vendáveis e exportáveis e o conceito de eco design», explicou Graça Bonifácio. O projeto usa resíduos de cortiça, que de outra forma não seriam reutilizados, e integra-os em fios que depois são transformados em tecidos. O produto foi já usado em tecelagem pela Têxteis Penedo, sendo que a empresa conseguiu desenvolver vários tecidos jacquard e não jacquard, revelou Graça Bonifácio. O resultado, cuja marca está neste momento em fase de registo, já é palpável. O consórcio produziu edredões e cortinas, por exemplo, e está a estudar a melhor forma de industrializar o projeto, para reduzir preços e chegar a mais público. A média de incorporação de cortiça no tecido é de 20%.

Um projeto que está numa fase mais concetual é o Prêt-a-Pointe, que Rachel Boldt, investigadora da Universidade do Minho, desvendou à audiência. Com quatro meses de gestação, a ideia passa por melhorar a qualidade, eficiência e proteção do pé das bailarinas, com sapatilhas mais adequadas a cada pé.

«O problema essencial é o conforto. As sapatilhas são todas iguais, mas os pés são diferentes. Isto cria lesões, sobretudo nos dedos e tornozelos. Uma bailarina pode usar cerca de 120 pares de sapatilhas por ano. Os materiais perdem a capacidade de sustentação muito rapidamente», referiu a investigadora. Entre as novidades que esta ideia propõe a quem se dedica ao ballet está um sistema de Bluetooth que mede a exatidão dos movimentos. Falta agora testar o produto.

Uma máquina de tingimento que não usa água? Hermann Freericks, diretor de vendas da Thies, mostrou que era (quase) possível com os equipamentos que a sua empresa constrói, com taxas de poupança de água superiores a 90%.