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O guarda-roupa já não tem estação

Com a necessidade premente da indústria de moda se tornar mais sustentável ambientalmente, o guarda-roupa sazonal vai deixar de ser um clássico, anuncia a GlobalData, que afirma que esta mudança é também sinónimo de oportunidade para os players do sector.

[©Unsplash]

O guarda-roupa de verão e o guarda-roupa de inverno é coisa do passado, nas palavras da empresa britânica de análise de dados, que apesar de considerar esta alteração muito provável e geradora de oportunidades, reconhece que o sucesso deste novo conceito de moda depende de uma maior confiança e de uma melhor comunicação entre os fornecedores e os compradores de vestuário.

«O calendário sazonal rapidamente se tornou redundante à medida que o universo da moda evolui. As pessoas estão a viajar mais, o clima está a tornar-se cada vez mais imprevisível e vimos a pandemia causar turbulências na cadeia de aprovisionamento da moda, deixando marcas com milhares de milhões de dólares em stock», explica Hannah Abdulla, correspondente de vestuário da GlobalData. «Além disso, deixar as mudanças sazonais para trás permite que as marcas atendam às procuras por maior sustentabilidade e mudanças ambientais como o clima imprevisível e o aumento de viagens. Isto segue os passos das casas de moda de luxo Ralph Lauren, Burberry e Tom Ford, que passaram a adotar o modelo “see-now-buy-now”», aponta.

Segundo Carmen Bryan, analista de consumo da GlobalData, as atitudes dos consumidores em relação à moda estão a mudar com a pandemia, deixando de lado as típicas conjugações sazonais em detrimento de vestuário confortável para estar em casa. «Curiosamente, nos últimos 12 meses, a última pesquisa global da GlobalData rmostrou que 51% das pessoas com idades compreendidas entre os 16 e 24 anos compraram vestuário em segunda mão ou usado com mais frequência. As pessoas estão ativamente à procura de alternativas ao fast fashion, que tem sido criticado pelo impacto negativo no meio ambiente, e as marcas devem tomar nota – na verdade, um terço (32%) desses jovens querem saber quais são os passos que as marcas vão dar para lidar com questões de sustentabilidade», adianta a analista, sublinhando que os consumidores estão menos preocupados com a tendência sazonal e mais com obter artigos que estejam alinhados com os valores pessoais.

«Também está claro que há um elevado potencial para grandes marcas atenderem a essa procura, já que a maioria (52%) dos consumidores globais ainda compra roupas de grandes marcas internacionais, enquanto apenas um quinto (20%) compra em independentes», acrescenta Carmen Bryan.

Mais-valia

Migrar para um calendário sem estação é sinónimo de uma maior dependência de peças intemporais e essenciais ao guarda-roupa, assim como tempos de resposta mais curtos e menores lançamentos, o que pode ser uma mais-valia para as marcas.

[©Kornit]
«O seasonless pode representar uma oportunidade real para os fabricantes locais, visto que as marcas procuram entregas menores com mais frequência. No entanto, isso só funcionará se as fábricas e as marcas trabalharem de forma mais próxima», alerta Hannah Abdulla. «As retalhistas devem estar prontas e dispostas a confiar e a investir nos parceiros. Vimos sucessos como a colaboração entre a Asos e a Fashion Enter, onde as duas formaram uma parceria com a Kornit para a produção têxtil sob procura. Se a Asos não tivesse apoiado o projeto, a Fashion Enter não teria sido capaz de provar o conceito. A relação fornecedor/comprador precisa de ser vista como um relacionamento de longo prazo – uma parceria – e certamente menos orientada para o preço. É esse trabalho em equipa que permitirá que ideias como a moda seasonless consigam resultados», conclui.