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O império das fibras na TV

Os diferentes tipos de fibras – do sisal ao carbono –, os processos e as suas aplicações em geral estiveram em destaque no primeiro episódio de “O Extraordinário Mundo das Fibras”. O programa, criado pela Universidade do Minho através do projeto Fibrenamics, liderado pelo Professor Raul Fangueiro, contempla sete episódios e tem como objetivo demonstrar a capacidade tecnológica das empresas e universidades nacionais nesta área. «Vivemos num mundo feito de fibras e queremos mostrar como a nossa tecnologia está a evoluir, como pode responder a questões ainda sem solução», explica Sílvia Carvalho, investigadora da equipa de I&D coordenada por Raul Fangueiro. Mas se a tecnologia e inovação são conceitos obrigatórios ao longo dos documentários, a linguagem é corrente, para permitir ao cidadão comum, mesmo sem qualquer background na área, entender os conceitos e a aplicabilidade de cada fibra. Neste primeiro episódio, a importância das fibras foi exemplificada através dos Descobrimentos Portugueses, que «não teriam acontecido sem a força das cordas que segurassem as velas. Cordas essas compostas pela união de fibras», ressaltou o narrador, citando em seguida o exemplo da Sicor, que ainda hoje produz cordas para agricultura a partir de fibras naturais – o sisal. A história das fibras prosseguiu com a fiação, relembrando que os princípios se mantêm os mesmos há muitos anos – tal como mencionados no conto infantil ” A Bela Adormecida”, onde a heroína se pica no fuso e adormece –, mas a tecnologia evoluiu e permite hoje à Tearfil produzir 160 milhões de quilómetros de fio, o equivalente a quatro mil voltas ao Planeta Terra, quer com fibras naturais, quer sintéticas, em misturas ou não. «Temos que interpretar e conhecer as propriedades das fibras», explicou o administrador da Tearfil, Rui Martins. A revolução no mundo das fibras continuou como advento das fibras sintéticas, ilustrada pela extrusão do polipropileno, realizada na Multicol. «Em termos de peso, é uma fibra mais leve em relação a outras, como o poliéster, poliamida, etc. Tem uma elevada resistência química, tenacidade, alongamento», apontou António Coelho, responsável da empresa. Já a “super” fibra de carbono está a protagonizar uma «metamorfose estrutural que resulta em compósitos leves e resistentes», revelou o primeiro episódio do “O Extraordinário Mundo das Fibras”, mostrando todo o complexo processo químico para a produção deste tipo de fibras, tal como levado a cabo no SGL Group, que detém a portuguesa Fisipe, produtora do percursor da fibra de carbono. Para além destes diferentes tipos de fibras, o programa deu ainda atenção aos tratamentos com plasma – que permitem «modificações, quer químicas, quer físicas, da superfície dos materiais, sem contudo modificar propriedades mecânicas intrínsecas», como esclareceu Pedro Souto, investigador do Centro de Ciência e Tecnologia Têxtil da Universidade do Minho. Também os materiais de mudança de fase – PCM – foram abordados, com o exemplo da Devan/Micropolis, assim como a eletrofiação, que permite a produção de nanofibras, tal como a investigação levada a cabo pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa demonstrou. Este foi apenas o primeiro episódio de uma saga cuja produção envolveu mais de 30 empresas, nove centros de investigação, 150 horas de filmagem, 49 entrevistas e mais de 200 páginas de guiões. «Cada frase foi pensada ao mais ínfimo detalhe para que, da imagem ao grafismo, do depoimento à explicação, a ciência das fibras seja mostrada sem segredos nem rodeios ao grande público», afirma Sílvia Carvalho. E os próximos capítulos prometem ser igualmente imperdíveis. «Nos próximos programas vamos perceber como a indústria automóvel está a ficar mais verde e segura graças ao emprego de fibras leves e resistentes. Vamos descobrir como é que estes materiais fibrosos podem revolucionar a resistência e durabilidade das construções e tornar possível o traço mais arrojado de um arquiteto. Vamos perceber também como um atleta desliza até à meta num compósito e também vamos dizer-lhe quais as fibras que o protegem de infeções nos hospitais e as que servem de escudo a uma bala», anunciou o narrador. Os próximos seis episódios de 30 minutos vão para o ar aos domingos, às 13h00. No próximo dia 29 de setembro são os transportes que estarão em destaque, num programa onde a empresa Artefita será uma das protagonistas.