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O jogo de Baptista

Na contagem decrescente para a cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos, que acontece a 5 de agosto no Rio de Janeiro, Brasil, as marcas já estão em aquecimento, espalhando a febre olímpica pelos portais de moda e desportivos com igual vigor. E, no que aos equipamentos diz respeito, a equipa francesa merece já lugar de destaque, graças à assinatura minimalista do designer português Felipe Oliveira Baptista.

As revelações dos equipamentos começaram pela Austrália, que mostrou já os equipamentos da cerimónia de abertura. Seguir-se-ia depois o Canadá, a Grã-Bretanha (vestida por Stella McCartney) e os EUA (com equipamentos assinados pela Polo Ralph Lauren).

E, de acordo com os portais de moda, todas estas equipas perderam antecipadamente para a originalidade, apresentando indumentárias que ficam aquém do esperado para as marcas e designers honrados com a oportunidade de vestir os melhores atletas do mundo, para a maior passerelle do mundo (ver Originalidade perde Olimpíadas).

No entanto, a França, que apresentou entretanto os seus equipamentos Lacoste, merece já o pódio neste jogo. No leme criativo da marca está, desde 2010, o designer português Felipe Oliveira Baptista, que tem vindo a reinventar a insígnia ao viajar pela história do fundador René Lacoste (vencedor de uma medalha olímpica em 1924) e pelas suas memórias (ver Tal como René).

Nas mãos do designer português ficou a tarefa de criar os equipamentos das equipas olímpica e paralímpica francesas. Felipe Oliveira Baptista respondeu com minimalismo. O ponto de partida foram as cores da bandeira francesa (azul, vermelho e branco), embora na prática isto signifique, azul-marinho e branco, com apontamentos de vermelho.

Os equipamentos para a cerimónia de abertura consistem em polos em azul, branco ou vermelho e calças brancas de silhueta skinny. Para os prémios, o look completa-se com um casaco corta-vento e calças desportivas em azul ou branco. O característico crocodilo Lacoste surge às riscas, com as cores da bandeira francesa. Os estilos são, no seu conjunto, muito sofisticados.

A única crítica feita às peças desenvolvidas por Baptista é mesmo a presença da mascote olímpica francesa, um galo, próximo de um crocodilo – o que faz com que as peças tenham dois animais em destaque – não obstante, a imagem teria de ser incluída nos equipamentos da equipa.

«É preciso encontrar um equilíbrio entre um look que deixe uma declaração, que seja visualmente marcante para ser reconhecido num estádio e na TV, e um que não seja demasiado complicado», explicou o designer ao The New York Times.

Felipe Oliveira Baptista fala com conhecimento de causa. O designer foi também o responsável pela indumentária não-técnica da Lacoste para a equipa francesa nos Jogos Olímpicos de 2014, em Sochi, que contou com um casaco acolchoado cinza e calças creme, look considerado um dos mais bem-sucedidos daqueles apresentados durante os jogos.

Ao longo dos anos, e dada a intervenção de marcas como Giorgio Armani, Prada, Hermès, Dsquared2 (a par das já mencionadas Stella McCartney e Ralph Lauren), a cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos transformou-se numa espécie de passerelle.

Isto é especialmente verdadeiro se parte da identidade do seu país está relacionada com o facto de ser uma das principais moradas da moda. «É muita pressão», confessa Felipe Oliveira Baptista.

A verdade é que, ainda que o desenvolvimento de alguns coordenados para homens e mulheres para um grande evento desportivo assistido por milhões de pessoas pareça um projeto paralelo relativamente fácil de concretizar, é, segundo o diretor criativo da Lacoste (que no total criou 77 peças diferentes para a equipa francesa), algo bem mais complicado do que se possa pensar. É necessário chegar a um estilo que possa funcionar numa variedade de formas e tamanhos, tanto para homens como para mulheres, que represente de alguma forma o ethos de um país e ainda receba a aprovação do Comité Olímpico. Para chegar a este resultado, Felipe Oliveira Baptista esteve a trabalhar nos equipamentos da equipa francesa desde novembro de 2014.

A temporada olímpica é «a mais longa temporada na moda», afirma. Talvez tenha sido por isso inevitável que a coleção “Olympic”, apresentada para a primavera-verão 2016 da Lacoste, seja também uma ode às olimpíadas (ver As olimpíadas segundo Baptista).