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O lado verde da Inditex

A gigante espanhola continua empenhada em fechar o ciclo dos seus produtos e da nova fase do “Plano de Estratégia Ambiental” para 2016 a 2020 fazem parte iniciativas de reciclagem com o envolvimento dos consumidores, mas também com a Lenzing e a investigação de novas tecnologias em parceria com o MIT.

O Plano de Estratégia Ambiental 2016-2020, anunciado na última assembleia-geral anual, em meados do ano passado, previa um programa de reciclagem ambicioso para permitir a recolha gratuita de vestuário em fim de vida, mesmo quando os consumidores compram online – uma iniciativa que a gigante do retalho de moda conseguiu já pôr em prática. Graças a uma parceria com a Seur Foundation, o serviço está atualmente disponível em Espanha e deverá ser lançado noutros mercados.

Nas lojas físicas, neste momento, de acordo com o relatório financeiro de 2016, publicado em março deste ano, o grupo introduziu contentores para roupa usada em todas as lojas Zara em Espanha, Portugal, no Reino Unido, na Holanda, na Dinamarca e na Irlanda, num total de cerca de 2.000 pontos de recolha. O objetivo, indica a empresa fundada por Amancio Ortega, é recolher o máximo de roupa possível para doar a organizações sem fins lucrativos, como a Caritas, a Roba Amiga, a Cruz Vermelha, a Oxfam e a China Environmental Protection Foundation para ser novamente vendida e permitir a angariação de fundos para estas instituições ou para reciclar em novos tecidos, em colaboração com empresas como a Hilaturas Ferre ou a Lenzing.

Aliás, a Inditex tem um acordo exclusivo com a fornecedora de fibras Lenzing para a produção de «matérias-primas têxteis premium» feitas com restos de tecidos gerados pela Inditex. O compromisso, assinado em julho de 2016, prevê que a Inditex forneça cerca de 500 toneladas de resíduos têxteis, um valor que deverá dentro de alguns anos aumentar para 3.000 toneladas, o suficiente para que a Lenzing produza fibras para cerca de 48 milhões de novas peças de roupa.

Para além da reciclagem, o grupo espanhol quer ainda promover os materiais sustentáveis nas suas coleções, incluindo algodão orgânico e a utilização do fio Recover, da Hilaturas Ferre, e da fibra Refibra da Lenzing. Prova disso é a segunda edição da linha de vestuário Join Life, da Zara, lançada em setembro (ver As boas-novas da Zara), que dá prioridade a materiais reciclados e processos de produção mais responsáveis em termos ambientais e inclui Refibra.

Um outro pilar desta estratégia para fechar o ciclo passa pelo apoio à investigação na área das fibras e reciclagem, onde a Inditex tem parcerias com o MIT (Massachussetts Institute of Technology) e universidades espanholas. O acordo foi estabelecido no final de 2016 e prevê um concurso que irá distinguir projetos que têm o meio ambiente em conta, que serão desenvolvidos com o apoio de especialistas do MIT. «Queremos acompanhar os especialistas nesta área, o que para nós significa desenvolver tecnologia de reciclagem e novos tecidos», afirmou, em comunicado, a Inditex.

De acordo com a página do MIT International Science and Technology Initiatives, o concurso MIT-Spain Inditex Sustainability Seed Fund é anual e prevê um apoio máximo de 30 mil dólares. As áreas em foco são, entre outras, iniciativas de upcycling, tecidos ecológicos, matérias-primas sustentáveis, lojas eco-eficientes e produção responsável.

A Inditex foi considerada a empresa de retalho mais sustentável no Dow Jones Sustainability Index, em 2016, um índice elaborado pela consultora especializada RobecoSam, que além das políticas de direitos humanos da retalhista destacou ainda «o programa Closing the Loop, que estabeleceu novas metas para a eliminação de desperdícios dentro da sua própria atividade em 2020».