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O luxo do crocodilo

Numa indústria de luxo dominada por marcas europeias famosas, uma empresa de Singapura está a fazer sucesso com uma linha exclusiva de carteiras coloridas feitas de pele de crocodilo. Com preços que rondam os 20 mil dólares (14 mil euros), as carteiras Kwanpen são feitas num atelier espaçoso e iluminado onde cerca de 50 pessoas trabalham meticulosamente para responder às exigências específicas de mulheres de todo o mundo. A Kwanpen é uma empresa familiar que opera num dos subúrbios industriais de Singapura e é a única marca de artigos de pele de luxo de uma cidade-estado mais conhecida pela electrónica, petroquímica e finanças. «Não é produção em massa», revela à AFP o presidente da empresa, Leonard Kwan, exibindo com orgulho as amostras dos produtos baptizados em honra do seu falecido pai, que iniciou o negócio nos anos 60. «A marca Kwanpen significa uma carteira em pele de crocodilo do melhor valor e qualidade», acrescenta. Os analistas de tendências de moda afirmam que as carteiras Kwanpen são muito procuradas em Hong Kong, um dos principais mercados mundiais de artigos de luxo, e são desejadas pelas mulheres não só pela sua elevada qualidade artesanal mas também pela sua raridade. A estrela de cinema chinesa Gong Li, por exemplo, foi vista com uma carteira Kwanpen. Para fazer uma carteira, são necessárias até 50 horas de trabalho e não são enviadas mais de 400 num mês. A empresa, também produtora subcontratada de marcas de luxo europeias, recusa-se a dar os números anuais de volume de negócios, mas revela que já teve de recusar encomendas para manter os seus padrões de produção. De carteiras italianas a relógios suíços, as economias em crescimento da Ásia, lideradas pela China, tornaram a região no principal centro de lucro para a indústria de artigos de luxo, a maior parte sedeada na Europa, e empresas como a Kwanpen estão a responder a esta procura. A empresa de corretagem CLSA prevê que a China seja o maior mercado de artigos de luxo até 2020, representando 44% das vendas mundiais. Kwan, que faz 60 anos daqui a alguns meses, aprendeu o ofício ainda menino quando ajudava o pai, que mantinha a mulher e cinco filhos com a reparação e polimento de artigos de pele para expatriados britânicos. Aos 10 anos, Kwan sabia o suficiente para fazer o seu próprio cinto, braceletes de relógio e sapatos, muito para preocupação da sua mãe, que achava que ele era muito novo para usar a faca pesada necessária para cortar a pele do crocodilo. Em meados dos anos 70, o pequeno negócio do pai tinha-se expandido gradualmente para a fabricação de carteiras em pele de crocodilo para retalhistas e trabalhava como subcontratado para marcas ocidentais de topo, que especificavam o design e as cores para a Kwanpen executar. Ainda hoje a Kwanpen produz carteiras para algumas marcas francesas de topo, mas não pode revelar quais devido a cláusulas de confidencialidade nos contratos. A primeira loja Kwanpen dedicada a carteiras em pele de crocodilo sob o nome da empresa abriu em 1976. Até hoje, Kwan e os seus irmãos mais novos estão envolvidos de perto em todas as fases do processo de produção, desde o sourcing dos materiais ao controlo de qualidade. As peças imperfeitas são pessoalmente estudadas pelos irmãos para ver o que correu mal a fim de evitar cair no mesmo erro, como explica Kwan. O presidente da Kwanpen supervisiona pessoalmente a compra da pele de crocodilo numa unidade de curtumes local. «A pele tem de ser perfeita para fazer uma carteira e não é fácil de encontrar», afirma, acrescentando que apenas é usada pele que cumpre a Convenção sobre Comércio Internacional das Espécies da Flora e Fauna Selvagens em Perigo de Extinção. Em Hong Kong, de longe o seu maior mercado, a Kwanpen tem cinco lojas em alguns dos locais de compras mais prestigiados da cidade chinesa. «Eles fazem um trabalho muito bom e a pele que usam é de topo», atesta uma compradora, Pamela Ling, na loja da Kwanpen situada no centro comercial de gama alta IFC Mall, em Hong Kong.