Início Notícias Vestuário

O luxo por miúdos

O vestuário de criança não para de crescer. Em 2015, as vendas atingiram 135,6 mil milhões de dólares (aproximadamente 126,1 mil milhões de euros) e representaram 12% do mercado global, de acordo com a Euromonitor. Já nos últimos cinco anos, o crescimento do mercado ultrapassou o de homem e senhora e, só no Reino Unido, deverá aumentar 13,2% nos próximos cinco anos, para 6,1 mil milhões de libras (aproximadamente 7,03 mil milhões de euros).

Posicionada neste lucrativo segmento de mercado, a retalhista online childrensalon.com possibilita uma plataforma na qual os clientes podem comprar as coleções de marcas como Gucci, Dolce & Gabbana, Chloé, Roberto Cavalli, Moncler, Fendi e Versace, entre outras. O negócio foi fundado em 1952 enquanto pequena loja vestuário de criança em Tunbridge Wells, Kent, Inglaterra e depressa se transformou na maior loja de luxo infantil online, informa o The Guardian. Vendendo mais de 280 marcas de designer e empregando quase o mesmo número de funcionários entre a sede e seis armazéns, a childrensalon.com expede cerca de 800 mil itens por ano para 110 países.

As roupas pequenas são claramente grandes negócios e não param de crescer e a receita desta empresa familiar subiu 51% para os 42,7 milhões de libras em 2015.

Não é nenhuma surpresa, por isso, que todos, de marcas de luxo a startups a retalhistas de massas queiram uma fatia do bolo. A Net-a-Porter, por exemplo, já registou o domínio Petite-à-Porter e a Farfetch lançou uma divisão de childrenswear do ano passado.

Já entre o final dos anos 2000 e início dos anos 2010, um conjunto de marcas de luxo, incluindo Marc Jacobs, Stella McCartney, Lanvin, Gucci, Fendi, Dolce & Gabbana e Roksanda, saltaram a pés juntos para explorar a tendência, com as primeiras incursões no mercado da roupa para criança.

A Karl Lagerfeld e a Balmain foram das últimas a capitalizar sobre este segmento, lançando coleções de luxo de criança com uma estética semelhante às coleções para adulto.

Em nome próprio e com uma forte incorporação de criatividade e marketing, também as marcas portuguesas dedicadas aos mais pequenos somam pontos de venda e mercados além-fronteiras, como destacou o Jornal Têxtil na sua edição de outubro de 2016 (ver Portugal dos Pequenitos). Da Laranjinha à Dr. Kid, passando pela Wolf & Rita, Wedoble, Play Up, Pureté…du Bébé, Risca de Giz e Ponto por Ponto, ou ainda pelas mais recentes Sissone, Phi Clothing e Chicken Chicos, a roupa infantil desenhada e produzida em Portugal tem vindo a vestir crianças do mundo inteiro.

«Percebi o quanto as mães gostam de comprar vestidos para as suas filhas», analisa a designer londrina Roksanda Ilincic. Ilincic conta com Cate Blanchett, Melania Trump, a Duquesa de Cambridge e Samantha Cameron entre a sua clientela adulta e lançou a linha infantil Blossom em 2012. «É uma perceção diferente comprar para as nossas filhas – desfrutamos muito mais do que se fosse para nós».

Quando na semana passada Victoria Beckham revelou a coleção cápsula para a cadeia norte-americana Target, percebeu-se que a gama de 150 peças incluía uma série de designs para crianças. Em entrevista à revista Vogue, Beckham afirmou que a maternidade fez dela uma especialista em roupas de criança.

Beckham não está sozinha. A chegada da prole das celebridades parece acarretar a obrigação de criar uma linha de moda inspirada nos mais pequenos. A ex-modelo Jools Oliver, mãe de cinco, desenha a linha de vestuário Little Bird para a Mothercare. Já a Rock Star Baby é uma coleção de t-shirts, gorros e babetes monocromáticos de inspiração pirata assinada por Tico Torres, baterista dos Bon Jovi.

No mês passado, Kim Kardashian e Kanye West aguçaram o apetite dos consumidores com uma imagem (publicada nas redes sociais) da nova gama de roupa infantil, que conta com a filha de três anos North como modelo.

Já Blue Ivy Carter, a filha de cinco anos da cantora Beyoncé e do rapper Jay Z, irá brevemente desvendar uma coleção de vestuário, fragâncias e acessórios com o seu nome.

«As redes sociais tiveram um enorme impacto no mercado de vestuário de criança», analisa Honor Strachan, da empresa de pesquisa Globaldata. «Começou com Suri Cruise, cujas excursões diárias com Katie Holmes foram escrutinadas por observadores de estilo e explodiu a partir daí».

Quando Shiloh Jolie-Pitt nasceu, a Barneys vendeu a t-shirt com o rosto do bebé na capa da revista People, e os filhos da duquesa de Cambridge alimentam uma corrida de mães às lojas das marcas que as vestem sempre que aparecem em público.

Já a retalhista britânica Alexandalexa, adquirida pela Babyshop em 2015, deu origem ao Luxury Kids Group, que deverá faturar 40 milhões de euros este ano. «Trabalhamos em estreita colaboração com celebridades e influenciadores nas redes sociais, o que tem um enorme impacto sobre as vendas», garante Jenny Slungaard, da Alexandalexa. «A ascensão das redes sociais, particularmente do Instagram, viu os pais ficarem muito mais conscientes sobre o que os seus filhos usam», completa.

Enquanto para alguns as marcas de autor são o foco, para outros as marcas com credenciais éticas ou aquelas com aprovisionamento de proximidade são as mais procuradas. Na loja de luxo Liberty London, Sarah Coonan, responsável de compras da Little Liberty, explica que «os clientes querem marcas com alma, com uma história diferente para contar. Também assistimos a uma grande mudança no sentido de roupas neutras em termos de género, onde as marcas não vendem separadamente para menino e menina com cores e estilo tradicionais», por isso, a linha está bem encaminhada «para duplicar o volume de negócios este ano».