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O melhor ano da Têxteis Penedo

Com diversas iniciativas pensadas para contornar as dificuldades impostas pela pandemia, a Têxteis Penedo conseguiu ter um dos melhores anos de sempre em 2021, com um aumento de quase 50% no volume de negócios.

Agostinho Afonso

O ano passado foi «muito difícil em termos de trabalho», assumiu Agostinho Afonso, administrador da Têxteis Penedo, mas «foi excelente em vários aspetos. Foi um dos melhores anos de sempre da nossa empresa, um ano que esperamos que fique como registo histórico e que haja muito mais como este», acrescentou.

Em 2020, a empresa especialista em têxteis-lar, como muitas outras, viu-se forçada a parar, no caso apenas um mês, fruto dos entraves logísticos colocados pela pandemia. «Claro que foi um grande susto, não sabíamos o que ia acontecer a seguir, mas felizmente os negócios começaram a correr relativamente bem quando regressámos. Nesse ano caímos 4%, mas começámos logo a ver um ótimo sinal de que os negócios estavam a crescer exponencialmente e, em 2021, subimos 48%. Foi excelente», revelou ao Jornal Têxtil após a sua intervenção num dos painéis das iTechStyle Talks, no Modtissimo.

O volume de negócios de 16 milhões de euros que conseguiu alcançar no final de 2021 era algo que já não registava há muito, «desde que a empresa se adaptou e se reformulou. Foi o melhor ano de sempre», sublinhou o administrador da empresa, que atualmente emprega 107 pessoas.

O crescimento deu-se à conta maioritariamente dos clientes da Têxteis Penedo, que «venderam melhor. Muitos dos nossos melhores clientes subiram exponencialmente também», deu conta Agostinho Afonso. Ainda assim, «conquistámos novos clientes, o que nos deixa com muita esperança para o futuro», garantiu.

A empresa de têxteis-lar manteve, de resto, a aposta na inovação, tendo criado um showroom virtual que permite que os produtos sejam vistos em 3D e investido cerca de um milhão de euros em novos equipamentos, nomeadamente na área do corte. «Temos mantido a lógica de investirmos todos os anos. O ano passado investimos e este ano vamos continuar a modernizar, essencialmente a parte industrial, com a substituição de máquinas antigas por novas, mas também a automatização de muitos processos. Temos uma área de inovação muito forte e procuramos ser sempre pioneiros», apontou.

Negócio multiplica para dividir

Com o negócio dividido pelas colchas, pelas quais é reconhecida, pelos lençóis, pelos cobertores e mantas – uma área mais recente que equivale já a 15% do negócio –, pela roupa de mesa e pelos tecidos de decoração, a empresa não pondera, para já, expandir-se para outros segmentos nos têxteis-lar. «Queremos focar-nos no que somos bons. No banho, por exemplo, há empresas muito boas, que são nossas amigas, ainda por cima, por isso se tivermos algum negócio em banho, vamos comprar a essas empresas, não faz sentido forcarmo-nos nessa área produtiva», reconheceu Agostinho Afonso.

Isso não a impede de explorar outras áreas, desde os fios revestidos a cortiça, que deram origem a uma empresa independente batizada precisamente Cork-a-tex, que tem já a Riopele e a JF Almeida como parceiros para o desenvolvimento de produtos, ao contributo para um sistema de impermeabilização para coberturas com capacidade de refletância térmica, para a construção, num novo projeto de investigação que envolve, entre outros, a Saint-Gobain Portugal, o CITEVE e o CENTI. «Acaba por ser interessante pela aprendizagem e pode também gerar, quem sabe, um novo negócio para a empresa», acredita o administrador.

Em termos de mercados, a Têxteis Penedo está espalhada pelo mundo, com os EUA a representarem 40% do negócio, seguidos de países europeus como França, Espanha, Itália e Inglaterra. Austrália, Japão e Nova Zelândia fazem igualmente parte da lista de destinos dos têxteis-lar produzidos pela empresa. «Temos procurado forcarmo-nos nos mercados que nos dão mais segurança e um maior grau de sucesso», afirmou Agostinho Afonso, salientando que em 2021 «o crescimento foi geral».

Quanto a este ano, a Têxteis Penedo está a preparar o investimento em painéis fotovoltaicos, somando mais um argumento para o crescimento no curto e médio prazo. «Temos de continuar a inovar, a dar estes passos que temos vindo a dar há alguns anos. O desafio é que o mercado continue forte, se possível, e que continue a haver a indústria nacional e a Têxteis Penedo. Estamos preocupados com a nossa empresa, que a nossa boa imagem continue forte e que os clientes continuem interessados em comprar em Portugal e nas boas empresas que temos, que oferecem boas soluções e, se calhar, com preços mais competitivos face à qualidade do serviço que temos», concluiu o administrador.