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O melhor da moda em Nova Iorque

Nesta edição, os organizadores deram a oportunidade de assistir aos 30 desfiles em associação com YouTube e os fashionistas puderam seguir as novas tendências de algumas passerelles. Alexander Wang, conhecido pelo look atlético chic, apresentou uma colecção inspirada nos desportos velozes como o motocrosse, ciclismo e Fórmula 1, com propostas de peças curtas em tecidos técnicos como rede cortada a laser, algodão tecno, poliamida e borracha em tons como branco, preto, azul, castanho, bordeaux, laranja e cobalto. O brasileiro Alexander Herchcovitch apostou numa colecção menos agressiva que as anteriores, com tons suave em pastel e bordados delicados utilizados em vestidos acima do joelho. Anna Sui mostrou numa colecção animada com muitos estampados, cores e texturas patchwork em vestidos curtos e médios e calças suaves com linhas fluidas, combinadas com casacos quentes e tops em malha em roxo, preto, verde, vermelho e marfim. A BCBG Max Azria propôs uma colecção enérgica com cores saturadas como o coral e verde-esmeralda, numa clara tendência de blocos de cor em materiais leves como o crepe de seda, seda de chiffon e seda georgette. Já Betsey Johnson homenageou as formas femininas e inspirou-se na beleza de Brigitte Bardot e das bailarinas de burlesco dos anos 40, trazendo vestidos de noite sublinhados com corpetes e muita lingerie em materiais como a renda, chiffon e tule. Na Calvin Klein, o estilista Francisco Costa seguiu linhas discretas e cores típicas da lingerie para criar vestidos e calças largas confortáveis, em materiais como tule, seda, viscose e cetim. A colecção de Carolina Herrera representou o espírito da Primavera com estampados de pássaros e grafismos sobre uma paleta de cores frescas e solares com propostas de calças longas com pregas, vestidos frescos de cocktail e saias longas e vaporosas. Diane von Furstenberg baptizou a colecção de Beginnings, em colaboração com Yvan Mispelaere, trazendo volumes redondos em vestidos túnica, blazers de inspiração masculina usados com bermudas, camisas combinadas com saias plissadas em tonalidades como o branco, cinza, castanho, topázio, lilás, cobalto e coral. Donna Karan fez uma abordagem gráfica de tendência tribal nas suas criações inspiradas nas composições em preto e branco do artista haitiano Philippe Dodaro, propondo uma série de vestidos tubulares, saias de roda ou justas com grandes rachas em materiais como o algodão, linho, seda e jersey. Por sua vez, os designers da Helmut Lang, Michael e Nicole Colovos, lançaram uma colecção com um look minimalista, unindo-se a um street style sofisticado num contraste de cores entre o preto e branco e o cinzento e gelo, apresentando formas de casacos curtos, túnicas com bordas assimétricas, tops estampados com motivos gráficos combinados com calças coulisse e t-shirts oversize sobrepostas com leggings. Uma das apresentações mais aguardadas da Semana de Moda de Nova Iorque foram as criações do designer Jason Wu, famoso por vestir Michelle Obama, que nesta colecção jogou com o contraste entre linhas fluidas e um design esculpido e construído com referências ao pop e uso de tonalidades fortes como o tangerina, azul eléctrico e fucsia. Jeremy Scott pareceu inspirar-se no estilo de vida dum trailer park americano e propôs um look denim e motoqueiro nas propostas masculinas e femininas com bastantes saias com franjas, macacões e calções. Felipe Oliveira Baptista teve uma excelente estreia na Lacoste reafirmando o conceito de elegância desportiva e do chic parisiense. Revisitando as formas clássicas da marca, Felipe trouxe uma visão mais discreta à marca. Houve muitas interpretações do pólo e t-shirts com túnicas multicolores e vestidos t-shirt estilo rugby, ora curtos, ora longos, muitas abordagens ao básico do sportswear de luxo como impermeáveis, calças oversize, blazers em malha e parkas. As cores também foram desportivas como o azul-marinho, preto, branco, caramelo, cinzento, turquesa e cobalto. O desfile de Marc Jacobs foi marcado pelo ritmo dos cabarés dos anos 20 e 30 com um toque de inspiração dos anos 60. A colecção mostrou casacos de couro flexíveis, vestidos e saias com bainhas irregulares, peças elaboradas em materiais sintéticos como o silicone, tecidos de seda com enfeites de árvores de Natal, até mesmo em celofane. Marchesa, assinada por Georgina Chapman e Keren Craig, buscou referências nas pinturas de Ilya Repin e nos desenhos de Ernst Haeckel. Os materiais preferidos da marca predominaram, nomeadamente os tules, chiffon e organzas usadas em camadas para criar a imagem de peças muito leves, às vezes translúcidas, com franjas e bordados. Michael Kors, que celebrou o 30.º aniversário, mostrou uma colecção rústica, com destaque para tecidos naturais, como a sarja e o algodão, e para os estampados que parecem ter sido feitos à mão, como o tye-die, além de estampados de peles de animais, roupas estilo safari, que se misturaram com modelo soltos, amplos, de influência étnica. Narciso Rodriguez optou por jogar com as sobreposições para um estado de espírito casual chic, criado através de mistura de texturas, comprimentos e formas diversas. O resultado foi saias e vestidos assimétricos e casacos caracterizados por acabamentos irregulares em materiais como o algodão e linho, seda e tecidos elásticos. Oscar de La Renta usou referências dos anos 60, 70 e 80, numa variação entre vestidos cocktail e tailleurs longos, amplos e volumosos. Nos materiais utilizou bastante renda, bordados e tecidos fluidos numa colecção cheia de movimento e sensualidade. Ralph Lauren trouxe também os anos 20, ao estilo “The Great Gatsby”, com vestidos de chiffon de seda vintage e calças de cintura alta em crepe da China com botões nas costas. A colecção, rigorosamente simples, teve como cores principais o marfim, rosa, azul-pastel e verde, especialmente em boleros e cardigans com gola de plumas de avestruz. A colecção de Tommy Hilfiger inspirou-se na fusão do estilo colegial Preppy e Pop Art, interpretando formas clássicas através de um moderno caleidoscópio de cores e proporções. Depois de apresentar as suas colecções durante duas estações em Paris, Zac Posen regressou a Nova Iorque com propostas focadas na elegância dos vestidos de noite e cocktail. Através duma paleta de cores sóbrias como o azul-marinho, preto, marfim e cinza, Posen mostrou a sua maestria em cortes de vestidos de noite, ideais para o tapete vermelho.