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O melhor do mundo

Num mundo onde a imagem tem cada vez mais importância, os artigos considerados de luxo são um símbolo de status. Mas o que é que o luxo significa actualmente? é tão simples como ter mais tempo para si ou é uma ideologia para manter um certo sentido de liberdade e um objectivo num mundo de valores supérfluos e maior controlo social? Nem todos vêem o luxo da mesma forma e entre críticas à ostentação exagerada e a exaltação da qualidade, a visão sobre este conceito é múltipla, como provam as opiniões dos executivos de topo e de alguns dos grandes nomes ligados à moda. Para os gostos de Tom Ford, Silvia Fendi, directora criativa da casa italiana, Yves Carcelle, CEO da Louis Vuitton, e Bernard Arnaud, o patrão multimilionÁrio do grupo LVMH, o luxo é uma questão de qualidade, inovação, serviço e criatividade. Para alguns, como Dana Thomas, autora do livro “Deluxe: How Luxury Lost Its Lustre” e crítica do consumismo, é sobre vender artigos de baixo custo com grandes margens embrulhados em logótipos». Para muitos, a explosão do mercado de artigos de luxo é um paralelo em relação à confiança e prosperidade da economia. Ao mesmo tempo que os preços das casas aumentaram ao longo dos anos, também aumentou o número de lojas de design e de luxo nas principais cidades do mundo. À medida que caminhamos para o fim da década, marcada por uma grande incerteza, novos conceitos como produção ética e ecológica estão a começar a imperar. Em último caso, se vamos pagar preços altíssimos por artigos artesanais ou de designer, estes têm de ser feitos respeitando os mais altos padrões e incorporarem um design criativo e único que permita igualmente a personalização ou a customização. De acordo com Silvia Fendi, o luxo é ter o melhor… não só de acordo com a tendência do momento, mas ter algo para toda a vida que foi feito com a melhor qualidade». Tom Ford acredita que é sair da esfera do logótipo; em vez disso, afirma, pode ter-se tudo com monogramas pessoais, para se tornar realmente teu». Ford criou uma marca que é a loja ideal para o homem que tem pouco tempo para procurar mas que quer ter a melhor qualidade e o melhor serviço que o dinheiro pode comprar. Planeia abrir quatro lojas nos próximos cinco anos em Londres, Los Angeles, Milão e Havai. No final do último ano, na Conferência do Luxo do Herald Tribune em Moscovo Ford, explicou a um cronista do jornal inglês a sua visão de para onde os artigos de luxo se dirigem, este ano e no futuro. O luxo não vai deixar de estar na moda, apenas precisa de mudar de estilo. Temos de substituir o supérfluo pelo profundo». Com efeito, a crise pode ter rebentado no mercado imobiliÁrio mas parece que não hÁ abrandamento no topo do mercado de luxo – apenas um reajustamento de imagem e de mensagem. Apesar da crise do crédito, da queda do consumo e dos alertas dos analistas para a necessidade de poupar, poupar, poupar», hÁ um novo impulso no mercado do luxo, estando prevista a abertura de diversas lojas. Louis Vuitton, Gucci, Tom Ford, Prada – e mesmo marcas como Martin Margiela, que não faz publicidade, e que tem uma abordagem um pouco marginal ao luxo – estão a preparar-se para novos investimentos e a sua confiança no mercado parece ser à prova de bala.