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O melhor e o pior em 2007

Numa era em que cada vez se leva mais a peito as questões ambientais e o futuro do ser humano – em 2007, o verde ganhou estatuto na indústria da moda e acabou por alcançar um papel semelhante ao desempenhado pelo preto. As iniciativas ecológicas começaram a ganhar força através da estilista inglesa Anya Hindmarch que lançou a mÁxima "I’m Not a Plastic Bag" (Eu não sou um saco de plÁstico). Porém, outros eventos seguiram-lhe as pisadas tal como o São Paulo Fashion Week que lançou a moda da neutralização do carbono através da procura de alternativas ecologicamente saudÁveis, sem no entanto descurar estilo e criatividade. Um sucesso que ganhou visibilidade mundial. Seguindo, igualmente, estas premissas estiveram nomes como o da estilista Stella McCartney – galardoada com o prémio de Designer do Ano no Reino Unido – que foi responsÁvel pela criação de uma colecção de vestuÁrio ecológica e também de uma linha de produtos de beleza, denominado “Care”, que utiliza apenas produtos naturais e orgânicos. Também Gisele Bündchen – a supermodelo que mais facturou no último ano e que finalizou o seu contrato com a Victoria’s Secret – deu a cara por uma campanha a favor da preservação da Água, para além de ter declarado que deixaria de receber em dólares em detrimento do euro. Distúrbios alimentares como a anorexia e a bulimia pressionaram também o mundo da moda em 2007, exigindo às modelos um atestado de saúde e o valor do IMC (índice de massa corporal), para poderem desfilar nos grandes eventos mundiais. Mediante este cenÁrio, Karl Lagerfeld reagiu, alegando estarmos a viver num fascismo politicamente correcto». Meses depois, Oliviero Toscani fez uma campanha publicitÁria para uma marca italiana, onde causou polémica ao apresentar uma modelo anoréctica, totalmente nua. Também Victoria Beckham marcou pontos em 2007. Para além de ser detentora do corte de cabelo mais copiado do mundo (corte Chanel com pontas mais compridas na frente), a senhora Beckham lançou uma marca de roupa própria, foi responsÁvel pelo retorno das Spice Girls com figurinos Cavalli e acabou por se tornar numa “habitué” dos desfiles de Paris. Entre os filmes do ano estÁ Maria Antonieta, de Sophia Coppola. Estilo, cor e muita originalidade fizeram de Kirsten Dunst um ícone de estilo. Também o estilista Marc Jacobs esteve em total evidência no ano transacto, sobretudo na Semana da Moda de Londres, onde celebrou a abertura da sua primeira loja em terras londrinas. Apesar dos escândalos que envolveram a sua vida pessoal, Kate Moss foi contratada a “preço de ouro” para assinar as colecções para a marca inglesa Top Shop. Sem medo da concorrência, Lily Allen apresentou na mesma altura a sua linha própria de vestidos para a New Look. JÁ na H&M, Madonna lançou uma linha desportiva e, no final do ano, Roberto Cavalli fez furor com uma nova e glamourosa colecção para a marca sueca. Penélope Cruz também pôs mãos à obra e desenhou para a cadeia espanhola Mango. No Costume Institute Gala do Metropolitan Museum foi feita uma homenagem póstuma a Paul Poiret. Um evento reconhecido como o maior certame de moda do ano. Um ano que ficou igualmente marcado por comemorações de vida e carreira. Valentino comemorou 45 anos de carreira em Roma, pouco antes de se despedir do prêt-à-porter em Outubro, na cidade de Paris. Dior comemorou 60 anos, Ralph Lauren chegou aos 40 e Christian Lacroix, aos 20. Naquela que poderia ser considerada como a maior extravagância de sempre ou numa estratégia brilhante para conseguir entrar no mercado de luxo chinês, a Fendi apresentou o primeiro desfile de sempre na Muralha da China. De igual forma, após a saída polémica da Gucci, Tom Ford abriu a primeira boutique em nome próprio na cidade de Nova Iorque. Com o encerramento repentino da marca Rochas, o belga Olivier Theyskens assumiu a criação da conhecida marca francesa Nina Ricci. JÁ, Dai Fujiwara estreou-se com a marca Issey Miyake. Por cÁ, salienta-se as mudanças da Moda Lisboa para Cascais e do Portugal Fashion para Gaia. Luís Buchinho abriu a sua primeira loja própria na cidade invicta e encantou em Moscovo. José António Tenente foi o designer nacional convidado para reinventar o vestido de uma conhecida personagem da Disney e FÁtima Lopes inaugurou a “Face Sports”. Entre os novos talentos Diogo Miranda é um nome a reter. Mas o mundo da moda também ficou mais pobre em 2007, com a morte dos estilistas Gianfranco Ferré e Liz Claiborne, assim como da editora de moda inglesa Isabella Blow, homenageada por Alexander McQueen no seu desfile para a Primavera-Verão 2008. Mesmo assim o balanço foi positivo para o Mundo da Moda que tem agora um novo alento para marcar pontos em 2008.