Início Notícias Moda

O Met e os aprendizes de Kawakubo

Na primeira segunda-feira de maio, a Gala do Met assinala a abertura oficial da grande exposição de primavera do Costume Institute, em Nova Iorque. Este ano, celebrou-se Rei Kawakubo e os coordenados de nomes como Rihanna e Katy Perry esforçaram-se por se alinhar com o vanguardismo da marca fundada pela designer nipónica, a Comme des Garçons.

Apesar de todo o espetáculo, não se trata de uma entrega de prémios, mas sim de um evento solidário, cujo objetivo é angariar fundos para o Costume Institute do Metropolitan Museum of Art (Met). As celebridades não pagam bilhete, mas quem quiser comparecer sem estar convidado paga uma média de 27 mil euros por bilhete e 252 mil euros por mesa.

Este ano, a exposição e respetiva gala de abertura foram dedicadas a Rei Kawakubo, em “Rei Kawakubo/Comme des Garçons: Art of the In-Between”, pelo que os convidados procuraram vestir-se de acordo com o universo criativo da marca. Trata-se da segunda vez na história que a exposição é dedicada a um criador vivo. A última foi uma retrospetiva do trabalho de Yves Saint Laurent, em 1983.

A apresentação da gala foi partilhada entre a diretora da Vogue norte-americana, Anna Wintour, a cantora Katy Perry e o rapper Pharrell Williams.

A contínua busca de novidade

A designer nipónica Rei Kawakubo sempre se deixou guiar pelos seus instintos e pela constante procura do novo e, curiosamente, nunca se chegou a formar como designer de moda, tendo estudado arte e literatura na universidade de Keio, em Tóquio.

Em 1967, Kawakubo tornou-se stylist de moda e, não encontrando as peças de roupa que gostaria de fotografar, decidiu começar uma marca própria.

Dois anos depois, começou a fazer roupas para a Comme des Garçons. «Fundei a marca com a premissa de tentar sempre encontrar algo que não existia, algo novo», afirmou.

Rei Kawakubo fez a sua estreia em Paris em 1981 e já era tão famosa que os seus seguidores eram conhecidos como “The Crows” (“os corvos”), nos media japoneses. Em 2004, ao lado do marido Adrian Joffe, Kawakubo fundou a loja de culto Dover Street Market.

Ao longo da sua carreira, Rei Kawakubo inspirou muitos designers, Martin Margiela e Helmut Lang citaram várias vezes a criadora de moda nipónica como referência no seu trabalho.

Considerando o jogo de volumetrias, monocromia e vanguardismo dos designs de Kawakubo, esta madrugada, as celebridades que melhor terão honrado o trabalho da criadora foram as que arriscaram mais na passadeira vermelha.

A cantora Rihanna, que todos os anos coloca as redes sociais em polvorosa com os seus looks excêntricos, não desiludiu os seguidores em Comme des Garçons, tendo envergado uma das escolhas mais reverberadas da noite – um coordenado de duas peças repleto de bolas.

A rivalizar com a cantora dos Barbados esteve Katy Perry, que surgiu de véu e vestido vermelhos da Maison Margiela Artisanal, merecendo a atenção dos cibernautas desde que pisou a passadeira.

A escolha da mediática modelo Kendal Jenner, um vestido La Perla, foi outro dos assuntos “trendy” nas redes sociais e portais da especialidade – a peça transparente deixou pouco à imaginação.

A atriz Priyanka Chopra (conhecida pelo seu papel de relevo na série “Quantico”) ousou numa gabardina Ralph Lauren XXL que se estendeu pela escadaria, enquanto a modelo Cara Delevigne brilhou num fato Chanel que fundiu a extravagância do metalizado com a sobriedade da alfaiataria.

A atriz Blake Lively (em Atelier Versace), a cantora Jennifer Lopez (em Valentino), a socialite Kim Kardashian West (em Vivienne Westwood) e a cantora Selena Gomez (em Coach) foram coroadas as mais bem vestidas da noite, ainda que nem todos os coordenados estivessem propriamente alinhados com a estética da Comme des Garçons.

A par das roupas, celebridades como Bella Hadid, Eva Chen, Lily Collins e Kerry Washington optaram também por se aventurar no corte de cabelo (liso, curto e com franja) de Kawakubo para honrar a sua influência na moda.

«Através da sua moda, ela [Rei Kawakubo] destaca o absurdo da antiga rivalidade entre arte e moda, promovendo a arte sem hierarquias obsoletas e classificações pejorativas», afirmou Andrew Bolton, curador do Costume Institute, sobre o trabalho da criadora.

O derrubar de conceitos, de resto, vai além da moda e da arte na exposição “Rei Kawakubo/Comme des Garçons: Art of the In-Between”. Toda a mostra é construída em torno de ideias opostas. “Ausência/Presença”, “Belo/Grotesco”, “Assunto/Objeto” e “Ordem/Caos” são apenas algumas das muitas dualidades exploradas na exposição, ilustradas por peças retiradas das décadas de trabalho de Kawakubo.