Início Notícias Marcas

O milagre da multiplicação

A casa de moda Alexander McQueen, uma das “pequenas” marcas do grupo Kering, antecipa uma duplicação das vendas nos próximos três a quatro anos e um aumento da rentabilidade, suportados pela expansão da rede de lojas e um foco renovado em artigos de couro.

Reputada pelos seus vestidos, confecionados com os melhores materiais, mais próximos da alta-costura do que do pronto-a-vestir, a marca possui uma receita de aproximadamente 250 milhões de euros e espera aumentar esse valor para 500 milhões até 2017 ou 2018, segundo as previsões apontadas pelo diretor-executivo da Alexander McQueen, Jonathan Akeroyd.

Em termos de vendas, a casa de moda surge na segunda posição, superada apenas pela Balenciaga, no cluster de pequenas marcas do grupo Kering, que também é proprietário da Gucci e da Bottega Veneta. No entanto, permanece muito aquém de Saint Laurent, cujas vendas superaram a barreira dos 700 milhões de euros, tendo apresentado o melhor crescimento orgânico do grupo (27%) em 2014.

A margem operacional da Alexander McQueen, que varia entre os 10% e 12%, segundo estimativas, deve alcançar os 15% nos próximos três a quatro anos, devido a um maior controlo da sua distribuição, uma melhor taxa de vendas por metro quadrado e um controlo rigoroso dos custos na sua rede de lojas. Apesar do desafiante ambiente económico enfrentado pela indústria de luxo, devido a uma diminuição do mercado chinês e à queda massiva de turistas que viajam para Hong Kong e Macau, a Alexander McQueen acredita que poderá duplicar o número de lojas próprias, fixando-o em 90, face às atuais 45, completando as inaugurações previstas na Europa, Ásia, EUA e Japão.

Devido a esta expansão, a Alexander McQueen irá aumentar a parcela de vendas gerada pelas lojas próprias, de 36% para 54%, sendo o restante proveniente de distribuidores terceirizados (grandes armazéns, lojas de multimarca, etc.). Espera, simultaneamente, aumentar a rentabilidade mediante a ampliação da quota relativas aos artigos de couro nas receitas da marca, que poderão representar mais de 30% das vendas dentro de três ou quatro anos, em comparação com 20% em 2014.

Antecipa, também, um crescimento do seu segmento de luxo acessível, com o lançamento da segunda linha “McQ”, vendida a metade do preço, e que responde por aproximadamente 20% das suas vendas. «Para a Kering este será outro exemplo de êxito no desenvolvimento de uma marca, depois de Bottega Veneta, Saint Laurent e Balenciaga», afirma Melanie Flouquet, analista da JP Morgan, para quem o plano de crescimento parece um pouco clássico, para uma marca que é tão pouco convencional. Porém, para o grupo Kering, este plano representa apenas um potencial de crescimento de vendas de 2% e 3% do lucro operacional, segundo analistas do Barclays.