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O minimalismo sustentável da Kalium

Partindo de excedentes de produção de empresas têxteis nacionais, a jovem designer Katia Almeida fez nascer a marca Kalium. A partir do Fundão criam-se peças monocromáticas e minimalistas que desvendam histórias e lendas, respeitando o meio ambiente.

Katia Almeida

Para a designer Katia Almeida, a Kalium é um sonho de infância tornado realidade. «Desde pequena que tinha a vontade de criar um negócio próprio na área das artes ou do design. Com a necessidade de obter produtos de um baixo impacto ambiental, tive dificuldades em encontrar vestuário com o qual me identificasse, com uma filosofia “slow fashion”, e apercebi-me que muitas pessoas partilhavam da mesma opinião», conta Katia Almeida ao Portugal Têxtil.

A Kalium vem, por isso, dar resposta a necessidades da própria criadora de moda. «Sentia falta de vestuário em cores monocromáticas, mais acessíveis, com um design interessante e que fossem adequadas ao meu dia-a-dia», explica.

Katia Almeida estudou Design de Moda na Universidade da Beira Interior, estagiou no atelier da Storytailors e trabalhou como coordenadora de uma linha de calças numa confeção do Fundão. É precisamente a partir da incubadora “A Praça”, no Fundão, que desenvolve a marca, que começou a ser pensada em setembro de 2017. «Comecei a desenvolver a ideia e a criar as primeiras peças, que consegui vender. Contudo, fui aceite para o programa “Empreende Já” (do IEFP) e, mais tarde, pelo programa “Creative Business Studio” (da Impact Hub), o que me levou a dedicar um ano à área do empreendedorismo», revela.

A marca foi relançada em março deste ano, com uma nova coleção, intitulada “Trebaruna”, que é «o nome de uma deusa da mitologia lusitana, guerreira, ligada à proteção do lar, aos segredos e da água. Era principalmente venerada na zona da Beira Baixa», afirma.

Através de ilustrações impressas em t-shirts, são contadas lendas e histórias de personagens «que podem ser exemplo e inspiração para os dias de hoje. O objetivo é pegar em lendas ou histórias de diversas regiões de Portugal, ou mesmo da Europa, para recordar e abrir o apetite às pessoas para o conhecimento sobre o nosso passado», acrescenta.

Respeito pelo ambiente e pelas pessoas

O foco da insígnia está «em pessoas preocupadas com causas ambientais e sociais que, além de serem culturalmente ativas, gostam de viajar e de ir a festivais. No seu dia-a-dia, preocupam-se em diminuir o desperdício ao procurar alternativas aos descartáveis», esclarece Katia Almeida.

Com peças intemporais, minimalistas pensadas para o bem-estar e conforto do ser humano, a Kalium vende maioritariamente t-shirts, vestidos e camisolas em malha, além de camisas e calças para mulher. A marca aposta ainda em acessórios ecológicos, como “pad’s” reutilizáveis, que substituem os discos de algodão descartáveis usados para a retirar a maquilhagem. Por enquanto, para o género masculino, a marca conta apenas com t-shirts estampadas, mas o objetivo é lançar, ainda este ano, uma coleção para homem.

Katia Almeida assegura que «a maioria dos tecidos utilizados provém de excedentes de produções de empresas portuguesas». Além disso, neste momento, os produtos são fabricados no próprio atelier e por costureiras da zona do Fundão. Quanto aos artigos em malha, a produção passa por uma confeção de pequena dimensão em Barcelos.

A crescer no mundo digital

Os artigos da Kalium são vendidos através das redes socias. «Estamos a trabalhar na loja online e estamos em contacto com lojas de revenda. Haverá novidades muito em breve» garante.

A criadora de moda tem no canal online a principal aposta, nomeadamente o marketing digital. No entanto, admite que «os mercados têm sido uma ótima maneira de divulgar a marca, porque o contacto direto com os clientes é importante na moda». Atualmente, a Kalium está a desenvolver uma campanha de crowdfunding, que se prolonga até 13 de maio, para financiar a sua próxima coleção.