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O multiculturalismo da Apparel Sourcing Paris

O salão parisiense dedicado ao sourcing de vestuário Apparel Sourcing Paris revelou-se, na sua mais recente edição, mais cosmopolita do que nunca, tanto ao nível dos expositores como em termos e visitantes profissionais.

A língua oficial continua a ser o francês, não se realizasse a Apparel Sourcing no centro de exposições Paris Le Bourget, mas na edição que decorreu em setembro último o multiculturalismo impôs-se definitivamente nos corredores, sendo fácil encontrar visitantes espanhóis, italianos, britânicos, alemães, japoneses, americanos, portugueses, brasileiros e outros sul-americanos, para referir apenas algumas das nacionalidades com que o Jornal Têxtil se cruzou durante a visita ao certame.

Os números da organização confirmam a experiência empírica: de acordo com a Messe Frankfurt France, 83% dos visitantes eram internacionais (mais 3% do que na edição homóloga de 2016) e embora os franceses continuem a ser a nacionalidade predominante, houve um aumento no número de britânicos, espanhóis, italianos, turcos, alemães e belgas. «Graças a uma maior sensação de segurança, os japoneses registaram uma grande melhoria (+19%), assim como o continente americano (+7%), com bons resultados para os EUA e o Canadá e um interesse crescente do Brasil e da Colômbia. África, um player recente no sector, registou um crescimento de 48%», afirmou o presidente da Messe Frankfurt France, Michael Scherpe.

No total, a Apparel Sourcing Paris teve um aumento de 13,9% do número de visitantes, para 15.473 profissionais (um número que partilhou com a feira de tecidos e acessórios Texworld, que se realizou em paralelo). O crescimento estendeu-se ainda aos expositores, com mais de 600 empresas dedicadas ao vestuário nesta edição de setembro.

«Há duas coisas principais a retirar do salão desta edição: a melhor qualidade na produção de vestuário e a internacionalização», apontou Michael Scherpe. «A mudança para materiais e capacidades de produção de gama alta na produção de vestuário, que foi sentida ao longo das últimas edições, foi mais uma vez confirmada», afirmou, acrescentando ainda que «a internacionalização ilustrada por um número considerável de pavilhões nacionais contribuiu para o desenvolvimento positivo».

Sri Lanka, Vietname, Paquistão e Bangladesh foram quatro dos pavilhões nacionais presentes, a que se juntou o Nepal, o Quirguistão, Myanmar e, como convidado de honra, o Camboja, que na inauguração contou com a presença do Ministro do Comércio cambojano, Sorasak Pan. «Quando a guerra acabou, havia 13 fábricas têxteis no país. Hoje há mais de 500», revelou o governante, que ambiciona aumentar ainda mais as exportações do país, que é já o sétimo exportador mundial.

Os expositores chineses, contudo, continuam a ser a maioria na Apparel Sourcing, com uma oferta que tem subido de gama de edição para edição, como provou a exposição “From Workshop to Shop”, que contou com 12 empresas, entre as quais a Aiymei, especialista em vestuário em caxemira, a Bosideng, que conta com seis unidades de produção e a marca epónima de estilo italiano, e a Dragon Silk, que exporta para a Europa, EUA e Japão.