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O mundo aos seus pés

Há 22 anos que sonho com isto», revelou Fátima Lopes sobre a sua nova aposta no segmento do calçado. Aos 50 anos, e depois de várias tentativas, a criadora de moda apresentou a primeira coleção de calçado, realizada no âmbito de uma nova sociedade e produzida com a empresa Jóia da Europa, uma empresa de Felgueiras fundada em 2006 por António Bento da Costa Ferreira. «Encontrei o parceiro certo. Até os saltos são desenhados por mim. Nunca consegui fazer isto antes em Portugal. Fazia um modelo para desfile e ficava por aí. Agora é uma coleção, encontrei a fábrica que faz tudo o que quero. Posso desenhar o que quiser, nada é limitado», explicou. Na passerelle parisiense, onde Fátima Lopes mostrou as suas propostas com o apoio do Portugal Fashion, desfilaram as duas linhas de calçado: Fátima Lopes, uma linha mais sofisticada, com saltos altos, e FL by Fátima Lopes, uma linha de gama média-alta mais vocacionada para o conforto, sempre em conjugação com a elegância, da qual elegeu um modelo para ela própria calcorrear a passerelle improvisada no primeiro andar do mais icónico edifício da capital francesa. «É como se estivéssemos de ténis. Decidi fazer a sala toda porque estava com isto, senão não fazia», enfatizou. Momentos antes, tinha sido a nova coleção para o outono-inverno 2015/2016 que percorreu o espaço «mágico» da Torre Eiffel, num desfile na noite de 7 de março que agradou muito mais a Fátima Lopes do que estar no calendário oficial da Semana de Pronto-a-Vestir de Paris, de onde saiu na estação passada. «O meu horário é de manhã e eu decidi que não desfilo mais de manhã. Porque é que hei de fazer o que os outros querem quando posso fazer o que eu quero? Não preciso de estar no calendário para encher a sala. Nunca fui propriamente muito obediente e, portanto, acho que não fazia sentido. [Se estivesse no calendário oficial] estaria a desfilar na próxima terça-feira [dia 10 de março], às 9h30 da manhã. Se posso desfilar na Torre Eiffel, na véspera do meu aniversário e à noite…», justificou. A coleção, quanto a ela, rompeu com as estações passadas, deixando de lado o crochet e o tricot e apostando em materiais como a pele, a seda, a renda e a caxemira. «É uma coleção muito sofisticada mas, ao mesmo tempo, muito vestível. Não há uma peça que seja só para espetáculo», afirmou Fátima Lopes, «até porque é uma tendência internacional: cada vez mais as pessoas querem ver o que há para vender», acrescentou. Inspirada no arco-íris, as linhas são curvas, em peças para todas as ocasiões e, muitas vezes surpreendentes, com casacos que, vistos de certos ângulos, são capas que na verdade são vestidos ou vestidos que parecem macacões. «Apeteceu-me brincar com as formas e com as cores, com todos estes degradés de cor, estas misturas e diferenças de tonalidades», reconheceu a criadora de moda, que confessou ainda ter criado «o meu guarda-roupa de sonho» com esta coleção.