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O mundo da Patagonia – Parte 1

A Patagonia é uma marca especializada em vestuÁrio de montanhismo com uma orientação muito vincada no sentido da qualidade – quer nas propostas técnicas, quer nas de lifestyle – e no âmbito das preocupações e respeito pelo ambiente e pela responsabilidade social, procurando limitar ao mÁximo a sua pegada ecológica através de diversos programas. Com inspiração no montanhismo, a Patagonia foi uma das pioneiras na utilização de algodão orgânico e poliéster reciclado na produção do seu vestuÁrio de exterior, registando vendas de 330 milhões de dólares no ano passado. Jonathan Petty, director de vendas e marketing da empresa para o Reino Unido, revelou ao just-style os próximos desafios que a empresa tem em mente para o seu ambicioso modelo empresarial sustentÁvel. Just-style (JS): Como é que a Patagonia entrou no negócio do vestuÁrio? Jonathan Petty (JP): JÁ fazíamos artigos de montanhismo hÁ cerca de 15 anos, na medida em que o dono e fundador, Yvon Chouinard, era um alpinista de classe internacional. Ele estava a escalar na Escócia, numa altura em que não havia especialistas de vestuÁrio exterior, e os alpinistas usavam camisas e camisolas de lã. Observou alguns alpinistas escoceses a escalar com camisas de rugby, porque eram feitas de lona de algodão durÁvel e resistente, e começou a importar as camisas de rugby para os amigos alpinistas que costumavam escalar no Yosemite. Eles acharam que era, de facto, um bom tecido para este fim, e Chouinard decidiu começar ele próprio a fazer a produção. ComeçÁmos por fazer vestuÁrio de montanhismo e sempre acreditamos no fabrico de artigos versÁteis, cuja utilização final era o montanhismo, mas que também pode ser usado em campismo, num bar, etc. JS: E como transferiu o conceito de durabilidade para as gamas de lifestyle? JP: Tudo na nossa filosofia é fabricar o melhor produto e não causar prejuízos desnecessÁrios, mas o mais importante é fabricar o melhor produto. Queremos vestuÁrio – quer seja técnico ou lifestyle – para durar muito tempo. Usamos os melhores materiais e as melhores fibras. Não importa se é uma peça técnica – queremos que dure dez anos -, e o mesmo se passa como uma camisa de lifestyle – queremos que aquela camisa dure décadas. Por isso escolhemos os melhores produtores. JS: Como comunica a sua missão [Construir o melhor produto, não causar prejuízos desnecessÁrios, utilizar o negócio para inspirar e implementar soluções para a crise ambiental] com os consumidores? Utiliza muita publicidade? JP: Nós não fazemos muita publicidade, na medida em que os nossos proprietÁrios nunca gostaram realmente de publicidade. Somos uma pequena empresa especializada, sempre acreditamos que a melhor forma de nos publicitarmos é o boca-a-boca e a formação do pessoal, por isso investimos muito do nosso tempo na formação dos funcionÁrios das lojas – normalmente estamos em lojas especializadas. Privilegiamos também as relações públicas, porque estamos convencidos de que temos realmente um bom produto e uma boa história para contar. JS: SerÁ que o nível de sensibilização dos consumidores para os produtos sustentÁveis cresceu muito nos últimos tempos no Reino Unido? JP: Com certeza, eu próprio observei uma mudança radical nos últimos 12 meses. HÁ um ano atrÁs, os nossos clientes e consumidores gostavam realmente da história, mas compravam o produto, antes de mais, por causa da sua utilização final e porque achavam esteticamente agradÁvel. O facto de ser feito a partir de poliéster reciclado ou algodão biológico era apenas um bónus agradÁvel. Agora, porém, existe um consumidor mais ético que estÁ a escolher os produtos, antes de mais, devido a esses factores, e temos visto isso através da distribuição retalhista. Na segunda parte deste artigo vamos continuar a entrevista, onde as questões irão recair sobre os programas ecológicos desenvolvidos pela empresa, bem como sobre os seus futuros planos de expansão.