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O mundo da Patagonia – Parte 2

Em entrevista ao just-style, Jonathan Petty continua a sua exposição sobre a marca Patagonia (ver O mundo da Patagonia – Parte 1), abordando nesta segunda parte os programas de protecção ambiental desenvolvidos pela empresa. JS: é possível delinear como funciona o programa de reciclagem de poliéster? JP: Temos um programa de reciclagem chamado Common Threads e os clientes podem devolver os nossos produtos, quer enviando-os para nós ou entregando-os a um retalhista. Então enviamos os produtos para os nossos fornecedores que derretem o poliéster e fazem depois novas fibras. O objectivo a longo prazo é utilizar poliéster reciclado para produzir novas peças de vestuÁrio, também elas reciclÁveis, para que sejamos 100% responsÁveis por aquilo que estamos a fazer. JS: Onde se encontram as instalações de reciclagem? JP: Temos uma no Japão e uma outra na América do Norte. JS: Qual a origem das Footprint Chronicles [sistema de etiquetagem transparente da Patagonia]? JP: O programa de reciclagem Common Threads foi lançado em 2006, e as Footprint Chronicles foram lançadas no início deste ano. O que estamos a fazer é a analisar internamente todo o processo de produção e queremos ser transparentes. JS: As questões ambientais relacionadas com as milhas do vestuÁrio, tais como a utilização de um fornecedor japonês para o Common Threads, são actualmente inevitÁveis? JP: HÁ sempre um grau de inevitabilidade puramente baseado no custo. As empresas aprovisionam de diferentes países onde o custo de produção é mais barato, mas penso que cada vez mais os consumidores vão colocar questões sobre onde os artigos são fabricados, qual a política de direitos humanos do governo, qual é a legislação para os trabalhadores, como são tratados, qual a remuneração por hora. Mas se perguntar, a maioria das empresas não sabe, porque não compram directamente a partir das fÁbricas mas a partir de um intermediÁrio, e mesmo quando compram directamente existem problemas. Foi o que a Nike enfrentou hÁ um par de anos atrÁs, mas desde então têm feito um trabalho muito bom com as fÁbricas. é isso que nós fazemos – estamos a trabalhar directamente com os nossos fornecedores e fÁbricas, e escolhemos os melhores no âmbito do nosso processo de decisão. JS: As questões ambientais também estão na mentalidade da maioria dos fabricantes do Extremo Oriente? JP: Sim, um bom exemplo é a indústria de calçado, onde o tingimento do couro é uma prÁtica muito suja em termos de produtos químicos utilizados, toxinas e utilização da Água. Nós só utilizamos uma das quatro fÁbricas de curtumes certificadas pela norma a ISO 140001. São coisas que as pessoas desconhecem. JS: As medidas éticas e sustentÁveis afectam os lucros da Patagonia e podem atrasar o crescimento? JP: Todas estas coisas custam mais dinheiro – usar algodão orgânico, por exemplo – mas essa é uma decisão que tomamos. Temos de colocar os nossos preços um pouco mais altos para que as pessoas saibam que estão a comprar algo com qualidade de primeira classe, mas temos de partilhar um pouco o custo. As nossas vendas estão a subir e nós estamos a crescer. Sabemos que hÁ procura por parte dos nossos clientes e que somos uma empresa lucrativa. JS: Existe muita procura de lojas de retalho da Patagonia no Reino Unido e na Europa? JP: JÁ temos três lojas de retalho na Europa [França, ItÁlia e Alemanha] e 42 globalmente. JS: E no Reino Unido? JP: Temos um outlet em Dublin e andamos à procura no Reino Unido; é apenas uma questão de encontrar o sítio certo, porque quando procuramos sítios temos critérios muito específicos, queremos que seja um edifício antigo, que possamos restaurar e essa é a nossa filosofia. Cada uma das nossas lojas é diferente, muitas das quais em edifícios que foram abandonados, mas que tinham uma arquitectura realmente interessante para ser restaurada em plena glória e se tornarem uma loja de retalho. Portanto, é uma questão de tentar comprar a loja certa, com a localização e o preço certos.