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O mundo na mão de Buchinho

Paris é a principal rampa de lançamento internacional de Luís Buchinho, que a partir das feiras profissionais e da passerelle da Semana de Pronto-a-Vestir da Cidade-Luz chega a clientes em 10 mercados, distribuídos não só pela Europa mas também pela América e a Ásia.

Com uma carreira na moda próxima já das três décadas, o mercado externo não é uma aposta recente para Luís Buchinho. Os primeiros passos lá fora foram dados há cerca de 10 anos, «mas na altura ainda não tinha propriamente uma pessoa dentro da empresa que pudesse tratar disso com a atenção que uma tarefa dessas envolve. Percebi que não conseguiria fazer aquilo e então preferi esperar», contou ao Jornal Têxtil, num artigo publicado na edição de abril (ver O negócio da moda).

A abertura da loja própria no Porto, nessa mesma altura, levou o designer a concentrar-se no mercado interno, mas o apelo das vendas além-fronteiras regressou com força renovada em 2012, já com o apoio de Carla Reis, que continua hoje a ser a responsável pelas feiras e contactos internacionais.

França foi o local escolhido para dar este salto, embora o foco nunca tivesse estado no mercado francês. «França é um mercado muito difícil, mas é um mercado que está aberto ao resto do mundo. Paris é uma cidade tão respeitada em termos de moda que acaba por atrair compradores do mundo inteiro. Fazer desfiles em França é, sem dúvida, uma referência de imagem muito boa para a marca e um cartão-de-visita que abre portas muito mais facilmente», revelou Luís Buchinho.

Além disso, «as feiras ou os showrooms feitos a partir de Paris também são importantes na medida em que conseguem condensar um número muito grande de compradores e pessoas aptas a uma marca nova no mercado internacional com uma facilidade que outra cidade da Europa não terá tanto», apontou.

De Paris para novos mercados

O leque de salões de moda aumentou, entretanto, com a presença agora obrigatória na Who’s Next em Paris, na White em Milão e na Edit em Nova Iorque.

«Optámos por feiras que realmente atraem um número maior de visitantes internacionais, nomeadamente do mercado asiático», explicou o designer.

Com 10 mercados de exportação, que absorvem cerca de 35% das 2.500 peças que produz por ano (número aproximado de 2016), o designer procura ter uma coleção abrangente, mas sem estar «preso a fórmulas que são mais compatíveis com o mercado asiático ou com o mercado americano. Faço a coleção muito à imagem da minha linguagem e ainda não tenho um mercado tão abrangente que me obrigue a fazer coleções específicas para cada mercado», garantiu.

Aliás, em vez de mercado, Luís Buchinho prefere falar de uma cliente, que trespassa países e continentes. «É uma mulher muito pragmática, uma cliente que não está só atenta às coleções de assinatura pela parte da tendência, pela parte da moda, mas também pela parte intemporal e pela parte pragmática da peça», desvendou.

Com vendas em lojas multimarca e na sua loja própria, no Porto, o universo do comércio eletrónico está em agenda ainda para este ano. «É uma coisa que vamos iniciar muito em breve. Vamos começar com uma pequena parte da coleção e uma parte que seja mais fácil de vestir, com peças que não exijam tanto um corpo para aquela peça, para que as pessoas não devolvam e não haja tanta logística. Mais clean, com um fit mais universal», adiantou.

Mais do que projeções futuras, Luís Buchinho prefere viver no tempo presente, mas sem descurar o trabalho necessário para dar continuidade à sua marca. «Uma marca com 27 anos em moda é uma marca que já tem um histórico, que tem de ser continuadamente refrescada e continuar a ser uma marca com um universo apelativo. Essas são sempre as minhas preocupações», resumiu.