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O mundo plano

Os autores de “Apparel at a Crossroads: The End of LowCost Country Sourcing”, publicado pelo Boston Consulting Group (BCG), baseiam o seu relatório na corrida de décadas das empresas de vestuário de um país de aprovisionamento de baixo custo para outro, num esforço para manter os custos reduzidos e garantir a competitividade. «Um dia, e, possivelmente, em breve, este trajeto vai chegar ao fim», escrevem os autores, acrescentando que «a mão-de-obra barata está a tornar-se um recurso escasso e o número de países de baixo custo é cada vez menor». Em vez disso, eles argumentam que as empresas ficariam mais bem servidas se avaliassem as instalações existentes para gerar ganhos de eficiência sustentáveis, melhorar a velocidade para o mercado e eliminar a pressão da gestão dos custos de mão-de-obra. «O desafio exige que as empresas de vestuário vejam os seus processos de produção e os parceiros através de três lentes estratégicas: inovação, colaboração e proliferação», aponta o documento. «Ao adotar inovações de produção que melhorem a velocidade e a eficiência (…), elas [as empresas] podem com maior facilidade localizar os seus centros de produção mais próximo dos clientes e aumentar a sua capacidade de resposta aos ciclos da moda». O relatório mapeia a migração do aprovisionamento em toda a Ásia e África, da China para a Tailândia e agora para o Mianmar e a Etiópia, antes de ressaltar que a mão-de-obra barata está a tornar-se um bem cada vez mais rara. Os novos destinos de aprovisionamento são também tipicamente comprometidos por um conjunto limitado de trabalhadores qualificados, infra-estrutura deficiente, necessidade de importar matérias-primas e ineficiência da produção. Tais preocupações são agravadas pelas atuais tendências da moda e por um mercado consumidor inconstante, o que significa que as empresas precisam de levar mais rapidamente o produto ao mercado. De acordo com os autores do relatório, o anterior intervalo típico de um ano entre o aparecimento de uma tendência ao nível do design e a sua ampla divulgação aos consumidores foi reduzido para menos de três a cinco semanas. O relatório descreve oportunidades para melhorar a velocidade e a eficiência, como a utilização de tecnologias de união e colagem para reduzir a dependência do corte tradicional e da costura, e o aumento da utilização de técnicas como o design digital e o tingimento sem água – que poderiam «reformular o panorama da fabricação de vestuário». Uma melhor análise de custos poderá também aumentar a eficiência e a transparência, com medidas de custeio ao minuto a permitirem comparações entre países de aprovisionamento e a promoverem a colaboração entre produtores e fornecedores – também com o potencial para melhorar as margens e aumentar as poupanças. Além disso, a montante na cadeia de fornecimento, algumas empresas de vestuário estão tornar-se mais profundamente envolvidas na gestão das suas necessidades de matérias-primas – escolhendo tecidos e técnicas de fabricação, olhando para os tipos de fios utilizados, efeitos de cor necessárias e a tecnologia de tingimento utilizada. Estão também a começar a reduzir a complexidade da sua carteira de produtos, num esforço para promover o aprovisionamento de matérias-primas mais baratas e mais simples. Por fim, as empresas estão a aprender a lidar com pedidos de produção de maneira mais uniforme, espalhando a produção ao longo do ano para reduzir picos e quebras e tornando assim a cadeia de aprovisionamento mais eficiente. O relatório conclui que «com a velocidade para o mercado a ser tão importante nos dias de hoje – e provavelmente será ainda mais no futuro –, o espólio vai ficar para aqueles que se libertarem da falácia generalizada de que os custos de mão-de-obra são a única alavanca que falta puxar no sector».