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O namoro entre Portugal e Marrocos

Nos dias 10 e 11 de outubro, Portugal foi o país em destaque em mais uma edição da Maroc in Mode, organizada pela associação sectorial Amith. Entre expositores e visitantes, prevaleceu a ideia de que os dois países estão cada vez mais unidos e a trabalhar em parceria na indústria têxtil.

Samofil

A ligação entre Marrocos e Portugal foi um dos pontos em foco na abertura do evento, com Mohamed Tazi, diretor-geral da Amith, a anunciar que Portugal seria «le pays à l’honneur”, ou seja, o país em destaque no evento. Portugal marcou presença através da parceria do Citeve e da associação Seletiva Moda, com o projeto From Portugal, associando neste caso 14 empresas numa mostra coletiva, assim como com a Samofil, que esteve presente com um stand próprio. Dos 118 participantes na feira, a maioria (89) eram marroquinos, quatro do Paquistão, três da Turquia, dois da China e dois da Bélgica.

Mohamed Tazi

Ainda que Espanha seja o principal mercado de exportação de Marrocos, a ligação estreitou-se do ponto de vista institucional com Portugal, no acordo assinado  no ano passado (ver Marrocos e Portugal mais próximos). Ao Portugal Têxtil, Mohamed Tazi afirmou que Portugal e Marrocos são os «campeões» da fast fashion, uma das áreas em foco na feira internacional. «As empresas dos dois países começaram a trabalhar juntas antes da ligação institucional porque partilham o gosto pela fast fashion, que está em crescimento em Portugal e em Marrocos. Estamos a trabalhar juntos porque encaixamos. Os portugueses precisam das nossas confeções e nós precisamos dos conhecimentos deles. É extraordinário», elogiou.

Portugueses por Marrocos

À semelhança do ano passado, o projeto “From Portugal” foi à Maroc in Mode de forma a levar a indústria portuguesa a «mercados diferentes, que podem ser alternativos para as épocas menos boas da Europa e interessantes para as empresas portuguesas», explicou Cristina Castro, relações públicas do Citeve, ao Portugal Têxtil. Na prática, trata-se da internacionalização da iniciativa iTechStyle para mercados «que não são conhecidos pelas empresas, nos quais estas ainda têm receio de se aventurar», acrescentou. No “From Portugal” há uma preocupação em estudar a feira e perceber o que interessa ou não apresentar. «Claramente, aqui a confeção não interessa tanto, porque é o que eles já têm. Interessam materiais e acessórios», apontou. Ainda que o feedback costume chegar tempo depois da feira, Cristina Castro garantiu que o balanço da participação portuguesa foi positivo. «Já tive empresas portuguesas a dizerem-me que têm clientes marroquinos graças à nossa presença na Maroc in Mode do ano passado», revelou.

From Portugal

O balanço também foi positivo para a Samofil, que participou no evento pela segunda vez, revelou o diretor comercial Marco Vieira. «Na primeira feira, arranjámos dois ou três clientes, efetivos, que nos compram», daí o regresso. «Não são muitos visitantes, efetivamente. De qualquer forma, os que chegam ao stand, abordam com interesse e são clientes interessantes, com potencial», referiu.

De terras lusas, quem também marcou presença na Maroc in Mode, mas como visitante, foi Joel Faria, administrador da empresa SDV, Sociedade de Distribuição de Vestuário. «Estamos à procura de alternativas à produção que fazemos na China, no Bangladesh e na Índia, porque Marrocos tem um lead time bastante mais rápido para entregas e procuramos também uma alternativa a Portugal, onde os preços são superiores», confessou. Esta não foi a primeira visita do empresário ao certame. «Vão aparecendo cada vez mais, já compramos em dois ou três clientes. Este ano vamos ver se conseguimos pegar em mais um ou dois», adiantou ao Portugal Têxtil.

Um amor correspondido

Para o diretor-geral da Amith, Portugal e Marrocos unem-se pela cultura, proximidade geográfica e mesma forma de pensar. Prova disso é que, depois do acordo assinado há cerca de um ano entre a ATP, o Citeve e a Amith, tem havido um namoro «muito forte», que poderá dar frutos já no início do próximo ano, admitiu Cristina Castro. «Eles perceberam claramente que o sector têxtil português está bastante à frente da indústria têxtil marroquina. Eles têm coisas boas e nós também. Reconhecemos-lhes isso, naturalmente, mas falta-lhes muita coisa, como um centro como o nosso, por exemplo. Falta-lhes alguém que os apoie a nível tecnológico. Eles até podem ter equipamentos e infraestruturas, mas não têm a formação necessária. Tudo indica que em janeiro vamos ter novidades. O Citeve está em vários países. Quem sabe também não poderá estar em Marrocos», avançou.

Um amor correspondido, reconheceu Khalid Boujida, CEO da produtora de vestuário Denim, Madness. «Os portugueses são mais fortes na criação e nós na produção. Portugal é mais forte na tricotagem, não podemos competir nesse aspeto. Os portugueses são bons no estilo e na criação, têm o know-how», destacou o empresário marroquino. Do lado da Samofil, a experiência de ligação a clientes marroquinos «está a ser positiva». «Há uma recetividade muito grande. A abordagem é mais difícil a um cliente europeu, por exemplo, porque são mais fechados e desconfiados do que os próprios marroquinos, que nos recebem muito bem e são muito abertos a comunicar e a negociar», garantiu.