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O negócio da sustentabilidade

Nos últimos anos, considerando a crescente preocupação do consumidor com questões éticas e de sustentabilidade, desenvolver e defender os têxteis sustentáveis transformou-se num objetivo principal – em vez de um esforço lateral – para o vestuário.

«A indústria produz 150 mil milhões de peças de vestuário por ano e um quinto será incinerado ou acabará em aterros sanitários», afirmou ao Sourcing Journal Kate Black, fundadora da Magnifeco, uma publicação online que faz a cobertura de questões ecológicas nos negócios de moda. «Comprar não é o problema. Fazer não é o problema. A inovação é nossa saída», completa.

No seminário “Smart Materials, A Step Forward in Innovation”, que aconteceu no primeiro dia da última edição da Première Vision New York, a ênfase foi dado às sinergias. Os palestrantes concordaram que todos os envolvidos nas cadeias de aprovisionamento precisam de trabalhar em sinergia e fazer da sustentabilidade uma parte intrínseca dos seus processos, pensamentos e mensagens – para um planeta melhor e, claro, melhores negócios.

«A diferenciação é algo de que precisamos e os materiais são uma das coisas que podem ajudar a fazer isso», indicou a moderadora Giusy Bettoni, CEO da C.L.A.S.S., uma consultora de inovação sustentável.

Desde o arranque, a marca de vestuário de outdoor Patagonia diferenciou-se com base na sua devoção à proteção do planeta. Nesta quadra natalícia, por exemplo, a marca doou a totalidade das receitas da Black Friday a organizações sem fins lucrativos com foco na ecologia. O anúncio levou os consumidores às lojas e ao website e a Patagonia conseguiu angariar 10 milhões de dólares em vendas (aproximadamente 9,3 milhões de euros), o que superou em muito a meta da empresa de 2 milhões de dólares.

O compromisso verde da Patagonia estende-se depois a todos os processos da marca e, se na década de 1990 a retalhista defendia a reciclagem, hoje a sustentabilidade passa pela inovação. Claudia Richardson, responsável de inovação de materiais na Patagonia, mostrou-se muito entusiasmada com o investimento da empresa em materiais inesperados.

«Estamos a explorar a seda de aranha sintética», adiantou, referindo-se ao trabalho levado a cabo em parceria com a empresa Bolt Threads, que está a explorar as propriedades elásticas, a alta tenacidade e a leveza do material.

Parcerias como esta permitiram que a empresa desbrave terreno com emocionantes produtos ecológicos. Recentemente, a Patagonia revelou também os primeiros fatos de mergulho sem neopreno (ver Sustentabilidade: da teoria à prática). «Concentramo-nos num envolvimento real e transparente em todos os aspetos da cadeia de aprovisionamento. Acreditamos que a abertura gera oportunidades», sublinhou Richardson.

Procurando injetar a sustentabilidade no design de moda, também o Council of Fashion Designers of America (CFDA) tem vindo a trabalhar com os seus membros, bem como com designers emergentes, em parcerias com empresas como a Lexus e marcas como a Eileen Fisher.

Recentemente, o CFDA desenvolveu um programa de residência para recém-licenciados da Parsons na retalhista de vestuário sustentável Eileen Fisher, durante o qual os jovens desenvolveram coleções cápsula com 97% de materiais reciclados.

Não obstante, e apesar destas iniciativas, para Kate Black, fundadora da Magnifeco, a educação do consumidor ainda é um campo que precisa de ser trabalhado. «Um dos problemas com os têxteis inteligentes – são excitantes e são revolucionários e realmente vão mudar a indústria para bem…. mas acho que os consumidores têm dificuldade em perceber o modelo», nota Black, acreditando que os consumidores ainda não olham para este segmento como usável ou em linha com as tendências de moda.