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O novo espírito do Modaris V8

A mais recente versão do programa de criação de moldes da Lectra traz uma maior eficiência aos modelistas, com pregas mais simples, uma melhor perceção dos materiais, redução das tarefas manuais e transmissão de dados de forma mais fiável, como apresentou a Lectra Portugal aos clientes nacionais.

São já «entre 20 e 30» as empresas que estão a utilizar do novo Modaris V8 em Portugal, adiantou Rodrigo Siza, diretor-geral da filial portuguesa da Lectra ao Portugal Têxtil, mas o objetivo é avançar passo a passo.

«É uma migração que tem de ser feita com precaução. Qualquer mudança tem sempre de ser feita com precaução e esta, tendo em conta que um dos objetivos é garantir a interoperabilidade entre os diferentes sistemas, entre outros softwares, também obriga a algumas precauções no início. Portanto, estamos a fazer isto lentamente, mas tranquilamente, para garantir que a migração para o Modaris V8 não passa a ser um pesadelo em vez de ser uma coisa boa e um benefício», explicou à margem da apresentação.

Por isso mesmo, além da apresentação pública, que aconteceu na passada sexta-feira, 30 de junho, na sede da Lectra Portugal, em Leça da Palmeira, a empresa tem vindo a abordar, de forma mais individual, os seus clientes.

«Desde fevereiro, março, que temos vindo a falar com os nossos clientes – temos vindo a fazê-lo com muita precaução, para não provocar problemas, mas já fizemos apresentações individuais e reuniões com os nossos clientes para levantar potenciais problemas e valorizar os benefícios», apontou Rodrigo Siza.

O que mudou

Perante uma plateia de clientes, Fernando Ribeiro explicou as novas valências do Modaris V8, entre elas uma maior acuidade no fitting, com manequins fornecidos pela Alvanon, que permitem ter medidas para diferentes mercados. «Conseguimos integrar no 3D esses manequins. Podemos simular manequins para a Europa – França, Reino Unido, Alemanha – mas também para outras áreas – para o México, para os EUA…», enumerou o responsável da Lectra Portugal.

Fernando Ribeiro

O software conta ainda com uma biblioteca online com o dobro dos materiais, que vem ainda acompanhado com um catálogo físico de amostras, que permite ter a perceção do toque. «Através do número da página e da referência, consigo localizar [o tecido] no 3D e tenho uma referência física, tátil, daquilo que estou a simular», indicou Fernando Ribeiro.

Entre os avanços está ainda a fiabilidade na transmissão dos dados, com a geração de relatórios automáticos que permitem detetar falhas – e facilidade no que diz respeito a pregas, uma característica confirmada por Glória Pereira, modelista na Cordeiro, Campos & Ca. «Com as pregas virtuais está muito simples e muito rápido [fazer as pregas]», confirmou a modelista, uma das 140 pessoas que trabalha na empresa, que produz cerca de 100 coleções por ano, exclusivamente para exportação. Entre as mais-valias, Glória Pereira destacou ainda a informação nas pregas, que podem ser «impressas nos moldes» e as melhorias registadas nos cantos. «Cada vez temos mais necessidade de fazer costuras limpas e a nova ferramenta de cantos ajuda imenso e temos ainda a possibilidade de meter picas, que antigamente não conseguíamos. Conseguimos agora pôr muito mais informação e adaptar muito mais o molde», resumiu.

A evolução do Modaris V8 sente-se igualmente na graduação, que, afirmou Fernando Ribeiro, se tornou «mais fácil, mais precisa e mais rápida», com a adição de pinças em tamanhos específicos e graduações paralelas.

Uma característica muito valorizada por Jorge Peixoto, modelista da Esfani Confecções, uma empresa de Fafe com 30 anos de atividade, que conta com 50 colaboradores e uma produção (da modelagem ao corte, uma vez que a confeção é subcontratada) de um milhão de peças de vestuário por ano, tudo para exportação.

Esfani Confecções

«Quando nos pedem uma graduação dos desenhos, por exemplo, quem trabalhar com criança, tem sempre muitas dificuldades com as proporções» explicou Jorge Peixoto. «Com a nova versão do V8 podemos introduzir a imagem, graduar essa imagem, ficamos com a colocação feita e podemos fazer a impressão dos moldes e enviar para os nossos clientes. Veio tirar muito trabalho e veio dar-nos uma capacidade de resposta muito grande a esse nível», destacou o modelista da Esfani Confecções.

Indústria 4.0

O Modaris V8 enquadra-se na nova estratégia da Lectra para ajudar os seus clientes a fazer a transição para a Indústria 4.0, apresentada aos jornalistas em abril em Bordéus (ver Lectra alinha-se pela Indústria 4.0). «A digitalização não é uma questão técnica nem sequer tecnológica», realçou Rodrigo Siza na sua apresentação da estratégia da multinacional de origem francesa.

«Achamos que é uma das grandes tendências que influencia e influenciará progressivamente mais a vida dos nossos clientes, porque é sobre a transformação do negócio», afirmou o diretor-geral da Lectra Portugal, realçando que diversos especialistas apontam já que «esta tendência da digitalização terá um impacto maior ainda do que teve há 20 anos o aparecimento da Internet. Vai mudar mais coisas na nossa vida, na vida das empresas e dos negócios».

Ao Portugal Têxtil, Rodrigo Siza sublinhou que «o Modaris V8 foi um esforço muito grande para a Lectra, porque não é só uma nova versão, com novas funcionalidades, embora isso possa não transparecer totalmente para um utilizador do software. O Modaris V8 é o primeiro passo para o futuro. Há uma mudança profunda na estrutura tecnológica do software, porque queremos preparar esse futuro».