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O novo normal

A presença dos wearables na vida da maioria dos consumidores circunscreve-se ao pulso, num relógio inteligente ou numa pulseira fitness. Este cenário tem motivado as marcas a explorarem alternativas criativas para o preenchimento da principal lacuna do segmento: a falta de produtos verdadeiramente “usáveis”, isto é, práticos e com estilo.

No futuro, analisa a Racked, os wearables serão designados apenas como “roupas” e empresas como a Intel estão já a centrar esforços e recursos nesse sentido. «O mais interessante será quando a tecnologia for tão pequena que seja possível embuti-la em qualquer coisa», afirmou Aysegul Ildeniz, vice-presidente de novos dispositivos na Intel. «Por isso estamos a falar de, potencialmente, um dia, os tecidos e as peças que usamos serem inteligentes. De podermos implantá-la [a tecnologia] num chapéu, num sapato ou numas calças», explicou.

O que Ildeniz e a Intel estão a considerar é um tipo de tecnologia que pode oferecer aos utilizadores todas as vantagens de algo como a Nike+FuelBand, mas sem o “peso” de ter de usar o dispositivo no pulso – uma boa-nova para os praticantes de fitness: atualmente cerca de 50% dos utilizadores deixa de usar aquele tipo de produto seis meses depois de ter começado a usá-lo.

Ainda assim, os planos para o futuro vão muito além destas utilizações. Maribel Lopez, fundadora da consultora Lopez Research, imagina um mundo onde os diabéticos sejam capazes de saber os níveis de glucose sem o desconforto da picada ou os atletas possam controlar os níveis de oxigénio através da t-shirt.

Jacob Surber, gerente de produto na Pebble, vai ainda mais longe. Atualmente, a Pebble desenvolve relógios inteligentes que trabalham com aplicações móveis (apps) de empresas como a ESPN e a Uber, mas Surber acredita que no futuro os wearables vão ser usados para «diagnosticar problemas de saúde» ou ajudar pacientes já diagnosticados com algum tipo de doença.

Como nota, Surber aponta o recente trabalho da Pebble, que consiste em testar wearables em pacientes com dores de costas. Os resultados mostraram que «cerca de 60% a 70% dos utilizadores que caminham um certo número de passos por hora viram as suas dores reduzidas». Surber advoga também que à medida que a tecnologia vai avançando, será mais simples explicar sintomas ao médico ou retirar o máximo partido do exercício diário, uma vez que é possível saber a quantidade de energia que está a ser despendida em determinada atividade.

Além do mais, os wearables serão também capazes de conectar o utilizador com tudo aquilo que o rodeia (ver Wearables do futuro). «Consigo ver o meu wearable a ser a minha forma de identificação», afirma Surber. «A forma de ser reconhecido quando entro numa loja, na minha casa ou até num espaço individual».

Chegar a este patamar, porém, vai exigir algum trabalho extra por parte das equipas de design – as barreiras estéticas estão a dificultar a aceitação mais vasta deste tipo de tecnologia. E este é o maior desafio para empresas como Pebble. O seu produto mais recente, o Pebble Time Round, é um dos mais finos relógios inteligentes a chegar ao mercado – para o conseguir, a Pebble sacrificou a bateria do relógio. No entanto, como observa a Wired, a maioria dos utilizadores abdica facilmente da longevidade da peça em favor da estética.

É precisamente este problema estilístico que empresas como VFiles, uma retalhista com uma comunidade online dedicada (e muito ativa), estão a tentar resolver. Este ano e pela primeira vez, a VFiles está a introduzir uma categoria wearables nos seus desfiles de moda. A fundadora Julie Ann Quay está convencida de que os designers irão quebrar o código wearable, considerando que são estes que fazem as perguntas pertinentes na hora de dar um pendor usável à tecnologia. «Nós queremos saber informações como: “de que cor é isto?”», aponta Quay.

Até um gigante da tecnologia como a Intel concorda com Quay – a empesa patrocina um novo programa chamado “America’s Greatest Makers”, que estimula o rasgo criativo das pessoas. «É uma combinação de diferentes fatores e de pessoas com distintos backgrounds que vão trazer novas perspetivas sobre como os wearables podem ser usados, que funções devem ter, qual a estética que devem assumir – tudo para lá daquilo que as empresas de tecnologia imaginam», revela o vice-presidente de novos dispositivos na Intel.

Não obstante, o futuro dos wearables pode até já estar a ser escrito nos guiões de ficção científica que influenciam a cultura pop e, por seu turno, acabam por inspirar a realidade.

E é essa tríade – tecnologia, cultura pop e design – que vai fazer dos wearables “roupas”. «Acho que a tecnologia deve ser parte do nosso quotidiano», conclui Aysegul Ildeniz.