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O original e as cópias

A fronteira cada vez mais esbatida entre o autêntico e a cópia levou a curadora da exposição, Eriele Elia, a explorar as cópias desde a sua origem até aos designs da passerelle que estão disponíveis nas lojas de fast fashion duas semanas depois do desfile. “Faking It: Originals, Copies and Counterfeits” apresenta mais de 100 objetos e cobre um espaço temporal de mais de 150 anos. A mostra, patente até 25 de abril, começa com a exposição de um fato original da Chanel feito de lã bouclé de 1996, lado a lado com uma cópia licenciada do mesmo fato. Coco Chanel foi uma das poucas designers de alta-costura que encorajou cópias, mas reguladas, dos seus designs, dando aos compradores uma lista dos tecidos, acessórios, padrões e o preço de base que tinham de ser respeitados quando faziam uma cópia licenciada da Chanel. Chegou a dizer que «a moda devia sair das nossas mãos. A própria ideia de proteção de artes sazonais é infantil. Ninguém se devia preocupar em proteger o que morre no minuto em que nasce». No início do século XX, Charles Frederick Worth criou uma das primeiras marcas de “designer”, resultando numa elevada procura pelos seus designs. Em 1914, mais de dois milhões de marcas contrafeitas tinham sido cosidas nas roupas, o que resultou em iniciativas drásticas para os designers criarem grupos anti-cópias em Paris. Madeleine Vionnet até tentou colocar a impressão digital do seu polegar na sua etiqueta, o que falhou. Depois da II Guerra Mundial, as cópias não-autorizadas aumentaram drasticamente, com o New Look da Dior na dianteira. Durante os anos 50, os designers confiaram nos grandes armazéns que compravam os seus designs somente para criar cópias licenciadas com etiquetas interiores onde se podia ler “Reprodução Autorizada” e o nome da loja. A Bergdorf Goodman comprava cerca de 100 amostras de alta-costura a cada estação para criar cópias autorizadas para as suas clientes americanas, tornando a alta-costura mais disponível. Nos anos 80, os designers começaram a criar linhas de difusão de pronto-a-vestir mais baratas, como a DKNY e a Mochino Cheap and Chic, tornando as marcas de designer ainda mais acessíveis. A exposição mostra pares compostos por coleções de designer com as suas linhas de difusão, mostrando, essencialmente, as suas próprias cópias. Uma área em que a cópia não parece ter resultado em grandes processos judiciais é a arte. Os artistas entendem a cópia do seu trabalho como uma forma de lisonja, assim como uma grande promoção. O vestido Mondrian de 1965 de Yves Saint Laurent, um dos designers que se inspirou na pintura do artista, é um dos exemplos apresentados. Roy Lichtenstein e Andy Warhol foram também grandes influências para designers como Versace e Moschino.