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O ouro branco africano

Os transformadores de algodão precisam de novas tecnologias e de modernizar as máquinas, afirmou Jaswinder Bedi, presidente da Federação das Indústrias Têxteis Africanas Algodoeiras, sediada no Quénia. As declarações ocorreram na conferência da Cotton made in Africa (CmiA) e da Iniciativa de Competitividade do Algodão Africano (COMPACI), realizada na Tanzânia. «Haverá um número estimado de 9 milhões de novos postos de trabalho», ao acrescentar valor ao algodão em vez de exportar a fibra como matéria-prima. Bedi acrescentou que a África produz apenas 1,2 milhões de toneladas de algodão, menos de 5% da procura mundial de algodão de 26 milhões de toneladas. «Há espaço para aumentar a produção. Existem grandes áreas de terras aráveis não cultivadas em África», sublinhou o responsável. Bedi espera que, no futuro, exista mais comércio intra-Africano em produtos de algodão, o que tornaria o crescimento mais sustentável. «Nos últimos 50 anos, os negócios em África têm sido determinados pela política. Mas o que está a acontecer agora é que a economia assumiu o controlo, o mercado é agora impulsionado pela economia. E o comércio intra-Africano é uma oportunidade», explicou. A esperança é que a iniciativa CmiA venha facilitar esse crescimento na produção e no processamento. A CmiA cobra uma taxa de licença para o vestuário rotulado “Cotton made in Africa” e as receitas são reinvestidas em projetos africanos de melhoria de produção, de acordo com uma nota da CmiA, sediada na Alemanha. As empresas algodoeiras não só obtêm algodão produzido de acordo com elevados padrões sociais e ecológicos, sem pagar preços significativamente mais elevados, mas aos pequenos agricultores africanos são ensinados métodos de cultivo eficientes. A iniciativa suporta atualmente 475 mil agricultores da África Subsaariana. Perto de 3 milhões de pessoas lucram com o seu trabalho, indicam a CmiA e a Aid by Trade Foundation, o seu grupo fundador. Roger Peltzer, diretor de projeto na COMPACI, revelou que existe uma meta de aumentar o número de agricultores para 650 mil até 2015. Mas essa expansão irá exigir especialização, o que nem sempre está disponível. Por exemplo o caso da Tanzânia: o secretário adjunto permanente do ministério da agricultura, segurança alimentar e cooperativas, Yamungu Kayandabila, justificou que a expansão do sector de algodão do seu país era restrita por causa do «número limitado de especialistas de extensão agrícola, serviços financeiros e acesso a crédito inadequados e mercados não fiáveis».