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O paradoxo da Farfetch

Os resultados divulgados esta semana mostram que, de 2015 para 2016, a startup unicórnio de José Neves registou o melhor ano de sempre na faturação. Por outro lado, em 2016, a retalhista de luxo online enfrentou também o pior ano em termos de rentabilidade.

O crescimento da Farfetch está longe de se poder converter em lucro e, em 2016, a startup teve o maior prejuízo de que o mercado tem memória – 34 milhões de libras (aproximadamente 38 milhões de euros). As perdas acumuladas ascendem aos 87,7 milhões de libras.

Por outro lado, o ano passado foi o melhor em termos de faturação, com as receitas a ultrapassaram os 151 milhões de libras, um crescimento de 74% em relação a 2015.

Este número está relacionado com o valor dos artigos vendidos através da plataforma de comércio eletrónico que conecta boutiques de luxo à escala global, cujas receitas próprias são a comissão sobre as vendas. Em 2016, as vendas brutas escalaram mais de 80%, até aos 548 milhões de libras.

No entanto, deduzindo custos operacionais e despesas administrativas, entre outros, o resultado operacional da Fafetch continua no vermelho.

Em declarações ao portal de moda The Business of Fashion, o empresário português José Neves atribuiu as perdas à necessidade de realização de investimentos, mas mostrou-se otimista sobre o futuro da Farfetch – que tem vindo a ameaçar o reinado do conglomerado Yoox Net-a-Porter (YNAP) no comércio eletrónico de luxo.

O Yoox Net-a-Porter teve uma vantagem inicial. Natalie Massenet lançou o Net-a-Porter em 2000, sete anos antes de José Neves apresentar a Farfetch, enquanto o grupo Yoox chegou ao ciberespaço em 2002.

Massenet fez com que o Net-a-Porter crescesse para níveis inexplorados e muito rapidamente; quando a fusão das empresas foi finalizada, em setembro de 2015, era difícil acreditar que algum concorrente pudesse sequer sonhar em aproximar-se do gigante.

Mas, apenas dois anos depois, Natalie Massenet passou para os corredores da Farfetch, assumindo a posição de co-presidente não executiva da plataforma de comércio eletrónico (ver Massenet no clube Farfetch).

Por outro lado, em 2017, menos de um ano depois da Condé Nast ter relançado o portal Style.com como plataforma de comércio eletrónico, a empresa anunciou o fim do negócio e uma nova parceria estratégica com a Farfetch.

O Style.com interrompeu as operações, efetiva e imediatamente, e o URL do website passou a redirecionar os visitantes para a morada Farfetch.com (ver Condé Nast alia-se à Farfetch).

Também este ano, a startup de José Neves recebeu um investimento de 397 milhões de dólares (aproximadamente 336 milhões de euros) do gigante chinês do comércio eletrónico JD.com.

Deverá o YNAP preocupar-se?

No mais recente relatório financeiro, o conglomerado revelou que o volume de negócios havia subido 17,7% em moeda neutra, para os 481 milhões de euros, no final de setembro (entre as diferentes plataformas de comércio eletrónico: Yoox, Net-A-Porter, Mr Porter e Outnet).

Durante os primeiros nove meses de 2017, as vendas orgânicas cresceram 18,6%, gerando 16,8 mil milhões de euros em 6,8 milhões de encomendas. As visitas ao website (até ao momento) atingiram os 586,5 milhões. A expansão é também fundamental para o grupo, com o YNAP a preparar-se para lançar uma joint venture com a Alabbar para alavancar os negócios no Médio Oriente.

«Temos bases muito fortes e continuaremos a investir e a expandir o nosso negócio à medida que vamos construindo uma plataforma de tecnologia disruptiva na indústria de luxo», garantiu José Neves em comunicado.