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O parceiro do lado

Grupo Inditex, Mango, Mayoral, Kookai, Diesel, Petit Patapon, Ikks, Max Mara, El Corte Inglés e Etam são apenas alguns dos conhecidos nomes que constam na lista dos clientes da indústria têxtil e de vestuário marroquina. Os critérios que ditam a escolha são o preço, a qualidade, a capacidade de resposta e a entrega rápida. Jorge Martins é português e vive em Tanger, cidade onde está instalada a empresa Solinge, na qual exerce funções de diretor comercial. Com 50 anos, esta empresa de confeção marroquina tem como principal cliente o mercado espanhol. «A maioria dos nossos clientes trabalha no segmento do fast fashion e quer, por isso, rapidez na execução e entrega das encomendas. Numa semana conseguimos colocá-las nas lojas», revela. Com 2.100 trabalhadores, a Solinge tem uma elevada capacidade de produção, chegando a confecionar 13 mil peças por dia. O custo médio de um casaco é de 7€ e os mínimos de produção rondam as 3 mil peças. A par da Solinge, 65 empresas marroquinas marcaram presença na primeira edição do Fès Fast Fashion, que decorreu em Fès, a segunda maior cidade de Marrocos, de 20 a 22 de junho. Trata-se de um salão inteiramente dedicado ao sourcing de vestuário desde a lingerie, passando pelo denim, e até à moda balnear. Segundo Jorge Martins, o número de empresas interessadas em deslocalizar a produção para Marrocos tem vindo a crescer depois do “tsunami” político e social que atingiu a vizinha Tunísia em fevereiro do ano passado. «A Mango, que tinha ido para a China, acabou por regressar», refere o diretor comercial. Também Portugal surge agora como país interessado neste mercado. «Temos tido vários contatos de portugueses e chegamos a produzir para o estilista Carlos Gil», revela. O aumento dos salários e dos transportes na China e o incumprimento dos prazos de entrega têm levado muitas marcas e empresas de trading a procurar novas parcerias em outras regiões do mundo. «A China funciona bem duas épocas e depois tudo pode acontecer», afirma Cristina Alves, gestora de produto da Segredo do Mar, que busca em Marrocos alternativas. «Marrocos é perto da Europa e, pelo que pude ver no salão, há empresas interessantes, com uma relação qualidade-preço bastante atrativa», acrescenta. Também Laura Tabuada, responsável pelas compras têxteis da Bimba & Lola esteve no Fès Fast Fashion à procura de novas opções ao sourcing na China. «Estou muito contente com o que vi. Creio que não existirá nenhum risco em colocar as encomendas neste mercado», conta a responsável. Atualmente, 80% dos artigos da Bimba & Lola são fabricados na China. Um número que a responsável conta reduzir já que «os preços de produção começam a não compensar», destaca. De acordo com a Associação Marroquina de Têxteis e Vestuário (Amith), Marrocos ocupou em 2011 o 6 º lugar entre os principais fornecedores da UE, e o primeiro em relação às exportações para França e Espanha. Marrocos manteve a mesma quota no mercado europeu, enquanto os seus principais concorrentes registaram quedas, com -0,4% para a Turquia, -0,3% para Tunísia e -1,7% para a China.