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O pavilhão português teve uma excelente prestação»

O director da Techtextil/Avantex foi uma peça-chave no processo de “construção” do pavilhão português que participou neste importante certame internacional. Com efeito, Michael Jänecke deslocou-se por 2 vezes a Portugal durante o último ano para prestar todo o seu apoio a esta iniciativa de internacionalização do Fórum Têxteis do Futuro (FTF). Em particular, o director da feira de referência dos têxteis técnicos e do vestuário inovador, organizada pela Messe Frankfurt, fez questão de conhecer o Salão Modtissimo e conversar pessoalmente com os expositores do FTF. No rescaldo do sucesso da feira e da participação portuguesa, Michael Jänecke faz o balanço dos acontecimentos e a sua análise do futuro do sector.

Jornal Têxtil (JT) – A Techtextil/Avantex 2005 esteve à altura das suas expectativas?

Michael Jänecke (MJ) – Completamente. Registámos um claro crescimento quer termos de expositores (+ 22%) quer de visitantes (+ 11%), com uma forte componente internacional. Mas, no meu ponto de vista, o mais importante foi constatar o quanto ambos estavam satisfeitos com a sua presença no certame. Em particular, os expositores mostraram-se especialmente contentes com a qualidade dos visitantes.

A realização da Techtextil e da Avantex em simultâneo funcionou muito bem, beneficiando aqueles que estão interessados em materiais inovadores para aplicação na moda, saúde, desporto e protecção e segurança.

JT – Esta aliança Techtextil/Avantex vai continuar? Ou acabará a Techtextil por “absorver” a Avantex?

MJ – É ainda muito cedo para chegar a uma conclusão. O facto é que o feedback recebido até ao momento relativamente a este “casamento” entre os dois eventos é muito positivo. Mas, mesmo assim, temos que analisar melhor os resultados do questionário efectuado aos expositores e aos visitantes. Com base nisso debateremos novamente a questão com os industriais. Continuaremos a apostar na Avantex em Frankfurt, mas está em aberto como: ao lado da Techtextil ou como parte desta.

JT – O que achou da participação portuguesa?

MJ – O pavilhão português teve uma excelente prestação, bastante atractiva e informativa, mostrando todo o potencial e know-how da ITV portuguesa. Pelo feedback que pude recolher junto do mesmo, tratou-se de uma estreia muito bem-sucedida. Deste modo, não posso deixar de felicitar todos os envolvidos que prepararam e realizaram esta apresentação, pois efectuaram um trabalho excepcional. Espero absolutamente tê-los de volta em 2007.

JT – Entre as inúmeras inovações apresentadas no certame, quais foram aquelas que mais o surpreenderam?

MJ – É uma questão bastante difícil na medida em que vi muitas, e mesmo assim provavelmente não terei visto todas. De qualquer maneira, fiquei bastante impressionado com os projectos distinguidos com os Prémios Inovação da Techtextil e da Avantex. Alguns dos desenvolvimentos premiados estão muito próximos das necessidades do mercado actual, pelo que estou curioso por ver a sua utilização em aplicações práticas.

JT – Que análise faz da evolução dos têxteis técnicos?

MJ – Durante a Techtextil, muitas pessoas disseram-me que os têxteis técnicos são o futuro. Concordo plenamente com elas. Analisando a sua evolução em alguns países, constatamos que representam já uma grande parte do bolo – na Alemanha, por exemplo, já chegam aos 40-45% – e que continuam a aumentar, enquanto que o vestuário e os têxteis-lar estagnaram ou estão a diminuir. Todas as previsões apontam para um aumento do consumo dos têxteis técnicos em todo o mundo.

A força condutora do mercado é a própria indústria com o seu grande potencial em know-how, criatividade, flexibilidade e interesse crescente por propriedades e capacidades dos têxteis técnicos para novas aplicações. Cada vez há mais investigação e desenvolvimento que resulta de parcerias entre a indústria têxtil e outras indústrias.

JT – Na sua opinião, quais serão os futuros concorrentes da Europa nesta área? E como poderá o continente europeu permanecer competitivo?

MJ – Quando falamos de concorrência, pensamos logo na Ásia. A maior parte dos investimentos em tecnologia estão a se feitos nesta região do globo, e em especial na China. Mas, muitos dos têxteis técnicos são produtos customizados em que são levados em contra outros aspectos para além do preço – propriedades, qualidade, serviço, etc.

Estou plenamente convencido de que as empresas – independentemente da sua origem – que investirem em investigação, tecnologia e marketing chegarão ao sucesso. Hoje é preciso ser-se flexível, criativo e pró-activo não somente para sobreviver mas também para conquistar novos mercados e gerar mais negócio.