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O Perigo e a oportunidade

Há cerca de três anos, qualquer empresa, mesmo de reduzida dimensão, via a Internet como a solução para todos os seus problemas. Rezava a lenda que bastaria a criação de um pequeno site, com a descrição dos produtos e a tabela de preços e, de um momento para o outro começariam a chover as encomendas oriundas dos cantos mais recônditos do globo. Essa ilusão já foi desfeita pela realidade vivida ao longo do último ano. Contudo, como é normal nestas situações, passou-se de um extremo ao outro. Muitas empresas consideram que a Internet não passa de um logro, que o comércio electrónico nunca será uma realidade e, que a melhor estratégia relativamente à «rede das redes» é a ausência de estratégia. Esta não é, porém, a atitude correcta. A ausência de uma estratégia devidamente fundamentada e delineada para enfrentar o desafio do comércio electrónico é um claro factor de redução da capacidade competitiva. É essencial adoptar uma postura realista, avaliar o impacto que a Internet e o comércio electrónico podem ter sobre os factores de competitividade da empresa e tomar em consideração os seguintes aspectos: – Com a crescente concentração da distribuição, aumenta o número de empresas que adoptam estratégias concertadas ao nível do aprovisionamento. Os grandes grupos mundiais de retalho transferem, de forma crescente, as suas compras para a plataforma web, criando mercados onde os seus fornecedores concorrem directamente uns com os outros. As empresas que não tiverem experiência ao nível da utilização da Internet e que não possuam sistemas de informação que permitam uma integração simples com o seu backoffice poderão vir a sofrer fortes desvantagens competitivas face aos seus concorrentes. – A Internet funciona cada vez mais como uma «montra». Uma presença, mesmo que seja apenas institucional, permite a quem o deseje, obter, pelo menos, uma visão geral da empresa, levando a que a probabilidade de angariar novos negócios seja maior. – O ponto mais forte da Internet é o volume de informação que está disponível. A quantidade de dados, notícias e estudos que estão online permitem que mesmo empresas de pequena dimensão comecem a utilizar a Internet como um meio para «vigiar» a sua envolvente, acompanhando as informações sobre a concorrência, sobre novos produtos e tendências, bem como permitindo a pesquisa de potenciais clientes. A actual «crise» da Internet é apenas uma fase, natural, de um processo de amadurecimento e de ajustamento das previsões iniciais face à realidade. Por alguma razão, para se escrever a palavra crise em chinês são necessários dois caracteres. Um representa «perigo». O outro «oportunidade».