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O Planeamento e a Programação da Produção

Em milhares de empresas industriais por todo o mundo, o planeamento das encomendas e a programação dos recursos produtivos é uma prática corrente indispensável. Estas funções são geralmente realizadas por pessoas com recurso a sistemas informáticos, mais ou menos desenvolvidos e sofisticados. A eficiência destes sistemas e dos processos utilizados, é em grande parte dos casos pouco clara, e os técnicos responsáveis pelo planeamento e programação recorrem frequentemente às suas próprias “habilidades e artimanhas” para ultrapassar as fraquezas dos sistemas de que dispõem. O recurso a este tipo de práticas deve-se geralmente às debilidades dos sistemas utilizados, muitos destes sistemas são aplicações desenvolvidas por medida, internamente ou encomendadas a softwarehouses cuja competência para o desenvolvimento deste tipo de aplicações nem sempre é idónea, o que conduz a que seja necessária uma grande habilidade dos utilizadores e pouco automatismo.
Certamente estes processos requerem uma aferição ajustada e a análise dos custos/benefícios, tendo em conta os pontos fortes e fracos das organizações e dos modos de gestão. Porém, muito poucas empresas dispõem dos seus procedimentos documentados de modo a que as tarefas, mesmo as mais técnicas, como o planeamento e a programação, sejam processadas com metodologias definidas e sistemáticas. Grande parte dos técnicos focam-se na capacidade e no desempenho, ou seja, os responsáveis pelo planeamento e pela programação aprenderam com os seus antecessores e adoptaram as suas práticas e modos de proceder.
O que é que fazem os técnicos de planeamento e programação? O que é o planeamento e a programação? A resposta a estas questões leva aos princípios que constituem as bases da arquitectura dos sistemas APS (Advanced Planning and Scheduling) de Planeamento e Programação Avançados.
Não se pode dizer que existe apenas uma forma de realizar as funções de Planeamento e Programação da Produção, mas existem sem dúvida práticas que são aceites na generalidade dos casos e que deram provas concretas da sua solidez, quer ao nível do conhecimento científico que lhes serviu de base, quer no que respeita à sua implementação em ambientes industriais, desde os mais simples aos verdadeiramente complexos.
O processo completo do planeamento e da programação pode ser entendido como um círcuito fechado, com passos bem definidos que podem ser enquadrados em cada um dos processos de base, ou seja: planeamento, programação, comunicação e execução dos processos produtivos.Processo do Planeamento
Antes de se iniciar o processo de planeamento, é necessário estabelecer determinados dados básicos inalteráveis, que serão utilizados para o processamento de programações detalhadas. Para além desta questão, é imperativo definir a política de base sobre como se pretende planear e programar a produção.1º Passo – Definição dos dados básicos
Para que o processo do planeamento seja completo, é necessário definir todos os dados envolvidos. Esta informação é fundamental e pode envolver a definição de: famílias de produtos, estruturas de materiais (árvore do produto ou nomenclaturas), gamas de fabrico ou gamas operatórias, capacidade dos recursos, constrangimentos, etc.
2º Passo – Definição da missão
A missão da empresa é o modo de como ela encara os seus propósitos perante o mercado, ou seja, por exemplo: o cumprimento escrupuloso dos prazos de entrega, a procura do custo mínimo ou até uma combinação das duas. É também necessário definir os critérios para aferição do desempenho, definir por exemplo uma percentagem da capacidade instalada para a preparação das máquinas ou reservar parte da capacidade para imprevistos ou encomendas urgentes ou não confirmadas.
3º Passo – Definição dos pressupostos do planeamento De modo geral, os pressupostos do planeamento baseiam-se na eficiência ou na qualidade. Neste passo identificam-se todos os recursos necessários e a sua disponibilidade. Para além das necessidades, deve ainda ser feita a identificação dos apoios necessários, dos procedimentos e dos constrangimentos que possam existir na sua produção, ou seja, o que poderá parar ou limitar a operacionalidade dos recursos. Os técnicos responsáveis pelo planeamento e pela programação da produção, devem “jogar à defesa” devem ter a “arte e o engenho” da antecipação, tendo em conta os imprevistos e criando almofadas de tempo como segurança adicional. Devem fazer uma lista de todos os pressupostos considerados e dar conhecimento deles a todos os intervenientes no processo produtivo, de modo a que todos estejam informados.
Processo de Programação
A grande quantidade de dados envolvidos, a natureza repetitiva da programação e a rapidez na capacidade de resposta exigida pela dinâmica da produção, não se compadecem com soluções conseguidas com recurso a meios manuais ou semi-automáticos. As empresas que queiram ter um Planeamento e Programação atempados e credíveis, só o podem alcançar com recurso a aplicações informáticas especializadas. Estes softwares são aplicações informáticas desenhadas para agir com grande rapidez e sem erros. São uma ferramenta fundamental para planear e programar, e não só melhoram incomensuravelmente a disponibilização das programações, como aumentam de modo radical a eficiência dos técnicos de planeamento e programação. 4º Passo – Determinar as tarefas a realizar
O sistema tem em conta as exigências dos clientes e determina as tarefas que têm que ser executadas para cumprir na íntegra com os compromissos assumidos para com eles. O nível de detalhe a usar pode requerer a definição de tarefas complementares, necessárias para especificar completamente o trabalho.
5º Passo – Estabelecer tarefas e prioridades
O estabelecimento das prioridades na sequência das tarefas e das datas de entrega prometidas aos clientes, são dados fundamentais para a programação da produção. As regras de prioridade determinam qual a Ordem de Fabrico ou operação seguinte a iniciar, após a anterior ser concluída. A regra da prioridade da sequenciação é precisamente o que o nome significa: é uma regra para que os trabalhos sejam realizados uns após outros, de acordo com a prioridade que foi atribuída a cada um. A programação mais simples é a melhor programação. Os responsáveis pela programação têm que estar sensibilizados para a missão que foi estabelecida para esta função. O responsável pela programação não deve utilizar demasiados parâmetros, deve ter sempre presente que nem todos os objectivos pretendidos podem ser conseguidos simultaneamente.
6º Passo – Sequenciação das tarefas no fluxo do processo produtivo
A lógica da programação tem um papel fundamental no processo. Esta lógica, usada pelos sistemas APS, tem o seu momento próprio em cada fase do processamento da programação. Por exemplo, na primeira fase há que definir qual a direcção da programação, decidir se as Ordens de fabrico ou as operações serão carregadas de montante para jusante ou de jusante para montante. A próxima fase é a da prioridade ou ordem de lançamento, determina a sequência pela qual os trabalhos serão programados. Então, chegamos à fase do processamento da programação, onde poderão ser realizadas várias tentativas de simulação da programação, ou seja programações com vários cenários possíveis para o processamento da produção, o sistema calcula e regista o desempenho de cada simulação, em função de determinados critérios pré-definidos, para que se possa escolher a melhor de entre elas.
Finalmente, a ultima fase da programação atribui o trabalho ao posto de trabalho com maior disponibilidade, de acordo com o resultado das tentativas praticadas.
7º Passo – Determinação/Avaliação de modos alternativos de