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O poder dos saltos altos

Os sapatos rasos «são os mais difíceis de proporcionar à mulher um porte divino e gracioso. Isto porque este tipo de calçado faz, na maioria das vezes, com que as mulheres caminhem de uma forma desajeitada», explica o famoso designer de calçado Manolo Blanhik. Numa entrevista exclusiva ao jornal “Financial Times”, Blanhik assinalou ainda que a última vez que viu alguma mulher a caminhar bem com esse tipo de calçado foi nos anos 50. Apesar de fazer todo o tipo de tacões, Blahnik afirma que a sua altura favorita são os saltos de três centímetros. «Demorei dez anos a aprender a fazer um sapato com classe, no entanto ainda não consegui sequer o sapato perfeito. Aproximei-me muito, mas ainda não alcancei esse objectivo. Trata-se de uma tarefa pendente», explicou o conhecido designer que criou o “kitten heel”. Todavia, apesar de fazer calçado que encanta mulheres em todo o mundo, sobretudo celebridades que fazem questão de desfilar as suas peças em cerimónias de renome, Blahnik afirma, sem qualquer embaraço, que, se fosse mulher, teria especial atenção a outros dois acessórios: os chapéus e as luvas. «Serão os sapatos assim tão importantes? Se fosse mulher, poderia usar o mesmo vestido durante um mês, no entanto mudaria sempre de chapéu e luvas. Provavelmente também mudaria de sapatos, mas, na minha opinião, são as jóias, chapéus e luvas que têm a capacidade de modificar todo um visual. E eu adoro luvas e venero chapéus». O criador que ficou reconhecido mundialmente através da emblemática personagem Carrie Bradshaw, na série e filme “Sexo e a Cidade”, protagonizada por Sarah Jessica Parker, considera ainda que o sapato ideal deve ser sempre escolhido com muito cuidado, uma vez que certo tipo de calçado é demasiado vulgar e pode arruinar totalmente a indumentária global. «Alguns sapatos são tão estranhos e vulgares. Odeio sapatos de plataforma que nos dias que correm se vêm um pouco por todo o lado. Penso que chamam demasiado a atenção e não têm classe. Por isso mesmo nunca farei este tipo de calçado. Bem, eu já os fiz, mas foi nos anos 70 e foi uma má experiência», concluiu Manolo Blahnik.