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O polímero glutão

A Bayer MaterialScience AG assinou um acordo com a start-up americana InPhase Technologies para o desenvolvimento e fornecimento de matérias-primas poliméricas para produzir meios ópticos com uma capacidade de armazenagem muito elevada. A InPhase foi criada no final de 2002, a partir da Lucent Technologies e da Bell Labs, e é actualmente líder em meios de armazenagem holográficos.

A Bayer vai investir 5 milhões de dólares na compra de uma participação na InPhase e, em contrapartida, terá direito a utilizar os resultados obtidos na cooperação assim como o know-how fundamental da inPhase no domínio da holografia, para aplicações para além dos meios de armazenagem ópticos.

A procura de meios para armazenar grandes quantidades de informações digitais tem vindo a crescer por todo o mundo. Este facto levou a InPhase a desenvolver discos holográficos que oferecem uma capacidade de memória 50 vezes superior a um DVD ou 460 vezes superior a um CD. Tal como nos DVDs, as técnicas de memória holográficas utilizam lasers para gravar ou “escrever” a informação num polímero sensível à luz. Mas ao contrário dos DVDs, onde os dados são escritos na superfície, a holografia utiliza o volume total do material de armazenagem. O sistema para armazenagem dos dados é, como numa estrutura sandwich, revestido por uma camada de plástico transparente que confere ao disco uma elevada resistência química e mecânica.

No âmbito das actividades de investigação associadas ao novo acordo de cooperação, a Bayer MaterialScience deverá desenvolver com a InPhase esses polímeros especiais, que permitirão a produção de discos com capacidade até 1,6 terabytes. Isto equivale a 780 milhões de páginas de texto A4, cerca de 4 milhões de livros ou ainda 1,6 milhões de fotos de alta resolução. «Esta aplicação vai abrir um mercado bastante promissor para os nossos materiais», sublinha Joachim Wolff, director da unidade de negócios de revestimentos, adesivos e selagens da Bayer MaterialScience.

Deste modo, a Bayer pretende efectuar uma intensiva análise de possíveis aplicações para além do mercado dos meios ópticos de armazenagem, onde poderão estar incluídos ecrãs e sensores para interiores de automóveis, superfícies de projecção ou até a criação de dimensões visuais completamente inovadoras.

Em outras aplicações, os hologramas de volume já construíram uma sólida reputação. Os ecrãs de projecção transparentes da Makrolon, por exemplo, são usados em lojas, recintos de feiras e aeroportos. A gestão da luz nos escritórios sofreu também uma revolução com a holografia, e os hologramas em passaportes e cartas de condução impedem hoje que esses documentos sejam falsificados.

Na armazenagem holográfica de dados, o raio lazer está dividido num raio sinal e num raio referência. O raio sinal transmite os dados e é combinado no meio de armazenagem polimérico com o raio referência. Isto resulta num complexo padrão de interferência que é armazenado tridimensionalmente no polímero. Os dados podem também ser lidos por laser. Esta tecnologia apresenta como grandes vantagens a elevada densidade de armazenagem e a rápida transferência dos dados.

«O material polimérico utilizado no meio de armazenagem deve, obviamente, satisfazer um elevado número de exigências», declara Gerhard Langstein, director das novas tecnologias da Bayer MaterialScience. «Deverá ser sensível à luz, altamente transparente, de elevada estabilidade dimensional e insensível às flutuações de temperatura. Claro que nenhuma destas qualidades de performance deverá ser afectada por uma utilização frequente».

A Bayer MaterialScience e a InPhase fabricarão um sistema polimérico no qual o padrão de interferência produzirá ligeiras alterações no índice refractivo do material. São estas alterações que permitirão a leitura da informação por laser. «O salto de quantum na capacidade de armazenagem baseia-se em modificações que ocorrem no material ao nível molecular em associação com a armazenagem tridimensional», explica Gerhard Langstein.