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O potencial do desporto

Mediante a ascendente tendência global de fitness e adoção de um estilo de vida saudável, a par da predileção generalizada pela categoria de athleisure, que converteu as sapatilhas e leggings em artigos omnipresentes nas mais diversas circunstâncias sociais, muitos questionam-se sobre por quanto mais tempo o crescimento vertiginoso do segmento se poderá prolongar.

A Morgan Stanley acredita que esta tendência veio para ficar. Numa nota de recomendação aos acionistas, a consultora assegurou que aqueles que investiram em marcas de vestuário desportivo dispõem ainda de um elevado potencial de crescimento – e retorno financeiro – ao longo dos próximos cinco anos. O banco estima que a indústria de vestuário desportivo poderá somar 83 mil milhões de dólares em vendas até 2020. Esta conclusão decorre da análise de diversos fatores culturais, como a crescente participação global em atividades desportivas.

Entre as regiões que estão a fomentar o crescimento destacam-se os Estados Unidos da América, que é já o maior mercado mundial de vestuário desportivo, e a China. Em ambas os países, o interesse pelas categorias de fitness e saúde está a aumentar. Na China, a percentagem da população, com idades compreendidas entre os 6 e os 69 anos, que pratica atividades físicas três vezes por semana aumentou de 28% em 2007 para 31% em 2014. Os adeptos da prática de atividades físicas apreciam comprar vestuário desportivo, destaca o relatório, e muitos mais cidadãos chineses deverão tornar-se praticantes assíduos de atividade física nos próximos anos.

Além disso, o aumento do consumo chinês permite estimular esta tendência. O país tem, atualmente, a maior classe média mundial e salários crescentes, afirma o relatório, condições que tendem a fomentar a participação em atividades desportivas e a potenciar os gastos discricionários.

Destaca-se, ainda, este fator: «acreditamos que a tendência do athleisure se está a tornar um fenómeno global», refere o relatório. Cada vez mais pessoas, em todo o mundo, optam por utilizar vestuário desportivo, estejam a praticar atividades físicas ou não, uma tendência que está a conquistar quota de mercado ao vestuário não desportivo.

Em vez de perder vitalidade, os autores acreditam que a categoria de athleisure entrou num ciclo de popularidade, no âmbito do qual novos designs e tecnologias continuam a fomentar o interesse do consumidor. É muito confortável, afirmam os autores, e enquanto for socialmente aceitável usá-lo, as pessoas continuarão a fazê-lo.

Apesar do abrandamento económico sentido em diversas partes do mundo, como na América Latina e na Ásia, os autores antecipam que as vendas do segmento continuarão a crescer de forma contínua, em consequência de todos estes fatores.

A empresa que mais deverá beneficiar desta tendência é a Nike, que supera todos os concorrentes na categoria de investigação e desenvolvimento, segundo as estimativas produzidas pelo Morgan Stanley. Em consequência, beneficiou de um amplo crescimento em território chinês e dominação do mercado de vestuário desportivo americano.

Mark Parker, CEO da Nike, parece concordar. «Consideramos que o vestuário ativo, e o vestuário com base na performance e no desporto, veio para ficar nos anos vindouros», revelou recentemente numa entrevista. «Acredito que vamos conquistar quota de mercado, à medida que se vai operando uma mudança de estilo de vida em vários países do mundo».